Quando resolveu mudar-se de Maringá para Londrina para ficar mais perto dos filhos, Maria Isabel Gil dos Reis, 58 anos, não imaginava que aproveitaria tão pouco a nova vida. Um dia depois de chegar à cidade, no último dia 17, ela foi admitida no Hospital Mater Dei, com uma forte dor abdominal. Internada na ala cirúrgica, ela faleceu na madrugada de ontem, após sofrer um colapso vascular.
''Ela teria ficado doente na terça e chegou com fortes dores abdominais no hospital no sábado. Tinha todos os sinais de alerta da dengue hemorrágica'', assinalou o médico infectologista André Luiz Bortoliero, que atendeu Maria Isabel no Mater Dei.
Segundo ele, foram feitos todos os procedimentos para o tratamento da dengue, como hidratação endovenosa com soro e transfusão de derivados de sangue e administração de medicamentos para o controle da pressão arterial da paciente. ''Infelizmente ela sofreu um choque. O sistema nervoso não distribuía mais o sangue pelo corpo e ela faleceu'', explicou.
Um dos filhos de Maria Isabel, Evandro Gil dos Reis, contou que a mãe, que era viúva, teria decidido mudar-se para Londrina para ficar mais perto de três dos quatro filhos. Uma filha ainda reside em Maringá. Ela iria morar num apartamento alugado, próximo à Avenida Maringá, Zona Oeste da cidade.
Para Evandro, a mãe pode ter contraído dengue no final de semana anterior à mudança, durante uma visita a uns parentes que moram em Paranavaí.
O corpo de Maria Isabel foi liberado ainda ontem para o sepultamento e seguiu, por volta das 12h30, para Paranavaí, onde foi velado na Capela Mortuária Municipal e, posteriormente, enterrado no cemitério da cidade. ''Ela deixou oito netos'', lamentou o filho.
De acordo com Sônia Fernandes, gerente de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, a paciente já havia procurado um posto de saúde em Maringá, um dia antes de viajar para Londrina. Naquele dia, a suspeita de dengue já havia sido diagnosticada. ''Como o trajeto de Maringá a Londrina é curto, a única coisa que poderia impedi-la de viajar era sua condição clínica'', disse Sônia.
Segundo ela, Maria Isabel apresentava todos os sintomas clássicos da dengue: mal estar geral associado à febre, dor de cabeça e dores musculares. Ainda assim, ela preferiu fazer a mudança.
''A dengue pode evoluir para uma febre hemorrágica, mas a real causa da morte da paciente só será definida quando sair o resultado do exame de sorologia que confirmará se ela estava com dengue ou não'', informou a gerente. O procedimento será feito no laboratório do Hospital Universitário (HU) e o resultado dever ficar pronto somente na próxima quinta-feira.
Ainda segundo Sônia, se o resultado for positivo, a Secretaria entrará em contato com a família da paciente e verificará seu prontuário junto ao hospital, para apurar o histórico da doença que levou a paciente à morte. ''Se o exame der negativo, será feita uma nova sorologia de contra-prova.''

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