Mulher pede ajuda para reformar casa
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Célia Baroni 
A casa de Dair Helena Silva Gouvea, 40 anos, mãe de sete filhos, cinco ainda menores, está derretendo, colocando em risco a família que não tem para onde ir. Ela está pedindo ajuda da comunidade para reconstruir a casa. Estou desesperada. Não quero ver meus filhos correndo perigo de vida, mas não sei mais o que fazer, desabafa.
A dona de casa mora no Jardim Interlagos (zona leste), em uma ex-favela urbanizada e há seis meses descobriu que a casa estava com problemas. Quem fez a obra, usou barro em vez de cimento para juntar os tijolos e, no lugar dos pilares de sustentação colocou bambu. Logo depois que meu marido morreu, há 7 anos, eu vendi minha geladeira e uma estante para comprar esta casa. Ela era tão bonita. Não suspeitei de nada, diz.
Ela conta que só descobriu o problema porque os fiscais da prefeitura pediram para ela derrubar o muro da frente da casa que avançava sobre a calçada. Depois que derrubei o muro e vi os pilares de bambu, o resto da casa também começou a desabar, afirma. Dair Helena comenta que não consegue mais dormir à noite com medo da casa desabar em cima da família. A cada chuva cai mais um pedaço, diz.
A parede lateral caiu inteira. Uma parte da parede da sala também desabou. Para agravar o problema, ela conta que o terreno onde a casa está tem uma vala de cerca de 30 metros de profundidade, que foi usada como fossa. Segundo ela, para reconstruir a casa, a fossa tem de ser aterrada e o terreno nivelado com a rua.
Dair explica que o corpo de bombeiros já interditou o local. Avisaram para a gente sair porque a casa vai cair em cima da gente. Mas para onde vamos?, diz. De onde vou tirar este dinheiro se mal ganho para alimentar as crianças?, complementa.
Ela conta que tem problemas de coração e, desde a morte do primeiro marido sustenta a família com a pensão de R$ 120,00. O atual marido, Wilson Pereira dos Santos, 44 anos, é auxiliar de pedreiro e está desempregado.
Dair acrescenta que procurou a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina e a prefeitura em busca de ajuda, mas não conseguiu nada. Como a casa foi construída pelos ocupantes da favela, Cohab e prefeitura não têm responsabilidade legal sobre a obra. Dair Helena Gouvea mora na rua das Ameixeiras, 302, no Jardim Interlagos (zona leste), perto da linha do trem.


