O que fazer com um filho de 14 anos viciado em crack, maconha e cocaína? S.A.F, 36 anos, está desesperada. Há um mês ela tenta internar o filho e até agora não conseguiu ajuda para o rapaz. ''Eu estou com medo de perder meu filho. Não tenho mais para quem pedir ajuda e sinto que estou desabando junto com ele'', confessou, tentando conter o choro enquanto fala. Há duas semanas, a Folha publicou reportagem sobre a falta de locais e serviços para tratar de dependentes de drogas.
A história de S. e do filho dela, R., é parecida com a de muitas outras famílias londrinenses. Separada do marido, S. cria os dois filhos, de 14 e 6 anos, sozinha, trabalhando como diarista. Ela descobriu o vício do filho mais velho há dois anos. ''Um dia, um policial trouxe ele em casa e me contou que ele estava com maconha. Meu filho jurou que a droga não era dele. No começo eu quis acreditar mas depois fui vendo que estava diferente'', conta. Segundo a mãe, o garoto começou a mostrar mudanças de comportamento, ir mal na escola e acabou largando os estudos no ano passado, na 5 série.
Da maconha R. passou para drogas mais pesadas como cocaína e o crack. As discussões com o filho ficaram mais sérias este ano. O garoto começou a roubar e vender coisas para comprar droga. ''Ele pega coisas de dentro de casa e vende, roupa, eletrodoméstico, tudo'', contou. Constantemente preocupada com o filho, S. diz que não consegue trabalhar direito, perdeu vários empregos e está tendo dificuldades para sustentar a família.
Além do medo, S. convive com a culpa. ''Tudo isso começou porque eu trabalhava fora o tempo todo e ele ficava muito na rua. Quando eu percebi que tinha alguma coisa errada já era tarde''. S. diz que o filho emagreceu muito nos últimos meses e está visivelmente desnutrido. ''Ele não come e também não se cuida, não toma banho, nem liga para o que vai vestir'', lamentou.

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