Mulher no volante, cuidado constante
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - É unanimidade. Todos os entrevistados ouvidos pela FOLHA apresentaram o adjetivo ''cuidadosa'' como o que melhor representa a participação da mulher no trânsito. Apesar de ser em menor número que os homens, elas mostram que têm habilidade e paixão pelo que fazem. O grande preconceito que sofreram no começo não foi suficiente para que elas desistissem.
Até hoje, muitas delas ainda escutam comentários e piadas sobre suas profissões. Com a motorista de ônibus Kellen Cristine Rodrigues, 28 anos, não é diferente. Quando embarcam no veículo, muitos passageiros se assustam ao se deparar com uma mulher jovem e que agora está grávida de quatro meses. ''Alguns dizem que não têm seguro de vida, mas muitos também me elogiam'', conta. Desde os 23 anos ela trabalha no sistema de transporte coletivo de Curitiba e foi a primeira mulher a trabalhar na empresa como motorista.
Diariamente ela transporta passageiros do bairro Fazendinha ao Centro em um ônibus articulado (com dois eixos) e afirma não ter nenhuma dificuldade no seu trabalho. ''Me considero melhor motorista no ônibus do que no meu carro particular'', diz. Para Kellen, a diferença entre ela e os seus colegas homens é a maneira como pensa nos passageiros. ''Eu evito dar freadas bruscas. Mas não sou melhor que eles, sou igual, só sou mais cuidadosa e sempre tento fazer tudo certinho para não dar motivo que falem mal do meu trabalho.''
A motogirl Silvana Aparecida da Silva, 39, também se defende dos comentários maldosos de colegas de trabalho fazendo tudo da maneira mais correta possível. ''Eu me preparei muito para ser motogirl e adoro pilotar. É mais rápido, prático e econômico. Dá uma sensação de liberdade, não tem o que te segure. Não consigo viver sem a minha moto, está no meu sangue'', diz Silvana, motociclista desde os 18 anos. Silvana conta que na maioria dos casos o preconceito vem dos motociclistas mais jovens. ''Eles tentam ver se a gente não é 'manca', aquela pessoa que não sabe pilotar direito, mas não sou nenhuma menina, já tenho habilidade e ando completamente na defensiva''.
A taxista Dóris Cordeiro, 55, se orgulha de ter se envolvido em apenas um acidente em 14 anos de trabalho. Quando começou, aos 41 anos, Doris já era a motorista da família. O marido era taxista e ela cuidava dos quatro filhos. ''Cansei de fazer o serviço de casa. A vida era muito vazia, mas com a minha idade não seria fácil voltar pro mercado de trabalho''. Depois de muita procura, encontrou a solução na profissão do próprio marido. ''No começo fui mal recebida. Muitos colegas viravam a cara para mim, mas deu tão certo que não consigo mais me ver fora de um táxi'', afirma a primeira mulher da empresa de rádio-taxi onde trabalha.
Muitas vezes requisitada pelos passageiros na rádio-taxi, Dóris conta que a principal dificuldade é comum a qualquer motorista: a pouca fluidez do trânsito.
Espanto
E para aqueles que pensam que nas estradas tudo fica mais tranquilo, a caminhoneira Amíria Regina Motim Strapasson, 42, afirma que o que prevalece é o espanto entre os caminhoneiros. ''Eles não falam nada, mas sempre ficam olhando espantados'', diz a motorista, que sempre viaja para o Rio de Janeiro e São Paulo na companhia do marido. Vinda de uma família de caminhoneiros, Regina aprendeu a dirigir aos 11 anos de idade e como profissional começou aos 20. Com 21 anos de estrada, ela afirma que não sente dificuldade nenhuma com seu trabalho. ''Acho que é porque eu gosto, mas não acho nem um pouco difícil'', diz.
Fora das ruas, Natacha Giacomasse, 23 anos, mostra que a mulher pode voar muito mais alto. Ela cursou faculdade de Ciências Aeronáuticas - Piloto Comercial e agora cumpre as 150 horas obrigatórias de vôo. A futura piloto afirma que não sofre nenhum preconceito por ser mulher. ''As dificuldades que temos são as mesmas entre homens e mulheres. E ainda acho que temos mais jeito, pois a profissão precisa de sensibilidade, eles são mais bruscos''.


