James Alberti
De Curitiba
A mulher do advogado Luiz Renato Cardoso Crovador, Vera Crovador, 41 anos, negou ontem ter encomendado a execução do marido. Ela e outros quatro acusados do homicídio foram apresentados, às 14h30, no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). O advogado foi morto com dois tiros na quarta-feira, em um banheiro do seu escritório, que fica na Rua Euzébio da Motta, bairro Centro Cívico, em Curitiba.
O delegado operacional do Cope, Roberto Heusi de Almeida Júnior, responsável pelas investigações, afirmou que está comprovada nos autos a participação de Vera no crime. ‘‘Ela também confessou o crime, informalmente, na presença de três autoridades, que serão chamadas como testemunhas’’, disse Almeida Júnior.
Vera teria passado a negar que tenha encomendado o assassinato depois de contratar o advogado Dálio Zippin Filho. Durante a apresentação, Zippin afirmou que Vera não sabia do esquema para matar Crovador. Ela confirmou, porém, que tinha um caso, há um ano e dois meses, com o garoto de programa Milis Rogério dos Santos, 32 anos.
Milis seria o único envolvido no crime em liberdade, segundo a polícia. Além de Vera, foram apresentados ontem os dois jovens acusados de matar Crovador, Cleverson Firmino Miró, 18 anos, e Edson Rodrigues Zucco, 22 anos, o comerciante Setembrino José Nórdio, 35 anos, acusado de contratar os pistoleiros, e o agricultor Daniel Gomes Serápio, 22 anos, acusado de dar cobertura aos pistoleiros. Segundo o delegado do Cope, Daniel também seria garoto de programa e era amigo de Milis. Os dois estariam planejando outro assassinato, de um empresário do bairro Jardim Social (leia texto ao lado).
A mulher de Crovador teria pago R$ 15 mil e US$ 15 mil para que Milis executasse o marido. Parte deste dinheiro, pouco mais de R$ 5 mil, teriam sido entregues para o comerciante e para Daniel. Milis teria fugido com o restante. Segundo Almeida Júnior, a polícia desvendou o crime por causa do nervosismo de Vera. ‘‘Investigadores receberam informação de que ela tinha um amante e observaram as reações emocionais dela’’, disse.
Assim como Vera, o comerciante nega envolvimento no crime. Setembrino Nórdio, que também esta sendo defendido por Zippin Filho, disse que apenas deu um recado de Daniel para Edson, conhecido por ‘‘Paulista’’. Edson deveria encontrar Daniel às 8 horas de quarta-feira, em frente ao Shopping Muller, algumas quadras distante do escritório de Crovador. Três horas depois o adgovado era morto. Nórdio disse ser proprietário de um telefone ‘comunitário’ e Edson seria seu vizinho, por isso deu o recado. Edson e Miró, que fizeram os disparos, afirmam, no entanto, terem sido contratados pelo comerciante.

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