Bastante debilitada por causa do diabetes em estágio avançado, a aposentada Jovita de Souza, 82 anos, não resistiu e acabou falecendo na tarde de ontem enquanto era avaliada por um médico. Um fato triste mas corriqueiro e que não causaria revolta não fosse o trabalho que familiares e vizinhos denunciaram ter tido para conseguir iniciar os trâmites para o velório e sepultamento. Parentes e vizinhos ouvidos pela Folha reclamaram que a Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) teria demorado quase três horas para buscar o corpo na casa da aposentada, no Conjunto Semíramis (Zona Norte).
A neta da aposentada, Regina de Souza Brito, contou que a avó faleceu por volta de 14h20. A família teria sido orientada a levá-la para o Hospital da Zona Norte. Feito isso, o hospital os encaminhou para a Unidade Básica de Saúde do Conjunto João Paz. Lá, foram informados que não haveria o formulário necessário para atestar o óbito e o corpo teve que retornar para a casa da família. ''Fiquei mais de uma hora com essa mulher morta nos braços sem saber o que fazer'', falou o vizinho Antônio Pereira de Souza.
A vizinha e amiga de Jovita, Janete Fátima de Souza, contou que teria ligado para a Acesf às 14h20 e recebeu como resposta que a viatura seria encaminhada para o local na sequência. Ela reclamou que teve que ligar para a polícia e pedir que eles entrassem em contato com Acesf. ''Parece que tudo aqui tem que virar caso de polícia'', lamentou. O corpo só foi retirado pela viatura da Acesf para dar início aos procedimentos legais apenas por volta das 17 horas.
O agente administrativo da Acesf que atendeu a ocorrência, Luiz Carlos Teodoro, garantiu que o chamado foi recebido às 15h15 e a viatura chegou ao local às 16h20. Ele disse que esse seria um tempo considerado normal.
O superintendente da Acesf, Sérgio Plínio, orientou que em caso de óbito em residência é preciso ligar para a Acesf, que aciona um médico para constatar o óbito e definir a causa da morte. Depois, algum familiar precisa se deslocar até a administração da Acesf para responder a um formulário que posteriormente servirá de base para o cartório de ofício emitir o atestato de óbito. Respondidas as perguntas, a família precisa assinar o contrato com a Acesf detalhando o enterro.

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