Londrina – A família da mulher que morreu após ser atropelada na noite de segunda-feira em um condomínio de luxo na zona sul de Londrina autorizou a doação de órgãos. As córneas e as válvulas cardíacas de Carla Fabiane da Silva Durães, de 40 anos, foram levadas para a Central Regional de Transplantes Norte/Londrina.
Carla e uma amiga foram atingidas por um carro enquanto caminhavam na calçada no condomínio Alphaville Londrina 2, na zona sul da cidade, por volta das 19h25. Carla chegou a ser socorrida e levada ao Hospital do Coração, mas não resistiu aos ferimentos. A amiga dela, cujo nome não foi divulgado, sofreu apenas ferimentos leves.
As duas foram atropeladas por um utilitário esportivo Hyundai Santa Fé, dirigido pela pedagoga Viviane Braz Sola Itakura.
Segundo a Enfermeira Ogle Beatriz Bacchi, responsável pela Central de Transplantes, ainda hoje será possível saber quem será o receptor das córneas. No entanto, as válvulas deverão ser submetidas a uma preparação para serem armazenadas em um banco de válvulas na Santa Casa de Curitiba, referência na área. "Essas válvulas, depois de preparadas, podem ser armazenadas por até cinco anos", explicou. Segundo os dados oficiais, atualmente a fila para o transplante de córneas no Paraná é de 379 pacientes. Para o transplante de válvulas, não há fila.
O delegado do 6º Distrito Policial, Acácio de Azevedo, vai investigar o que ocorreu. Segundo ele, a Companhia de Trânsito da Polícia Militar não pôde ser acionada porque o local do acidente fica em área particular e o relatório do acidente será produzido pelo condomínio e depois encaminhado à Polícia Civil. O socorro foi primeiramente prestado pelo Siate, mas devido à gravidade dos ferimentos foi necessário o apoio do Samu. Testemunhas relatam que o utilitário passou por cima da região do tórax de Carla, que sentiu dificuldades para respirar. Ela foi encaminhada ainda com vida ao Hospital do Coração, mas não houve como salvá-la devido aos danos nos órgãos internos. Contatada pela reportagem, a família de Viviane Braz não quis dar entrevista.
O delegado afirmou que deve iniciar a investigação hoje. O primeiro depoimento será da amiga de Carla, identificada apenas como Sandra, que também foi atropelada. Posteriormente, Azevedo deve ouvir as testemunhas que estavam presentes na hora do acidente e por último será ouvida a motorista do utilitário para saber o que aconteceu. "A motorista será indiciada por homicídio, mas eu só saberei se foi doloso (intencional) ou culposo (acidental) depois que terminar a fase de inquérito e analisar os dados da perícia", relatou o delegado.
A pena para homicídio culposo varia de 1 a 3 anos de prisão e para homicídio doloso, de 6 a 20 anos.
O auxiliar contábil José Ricardo Leite Junior, amigo da família de Carla, relatou que ela era uma mãe bastante apegada aos filhos e que ia para todos os lados com eles. "Era uma pessoa alegre, bem contente", declarou.
Testemunhas teriam dito ao auxiliar contábil que a motorista do utilitário teria pisado no acelerador por engano, quando na realidade queria frear ao fazer uma manobra para desviar de cones instalados nas vias do condomínio. A velocidade máxima dentro do condomínio é de 30 km/h e há cones posicionados a cada 100 metros com o objetivo de reduzir a velocidade dos veículos.
O corpo de Carla foi velado ontem na capela mortuária do Cemitério Municipal São Lucas, em Ibiporã. Até o fechamento da reportagem não havia a confirmação do horário de sepultamento. Ela deixa marido e dois filhos, um de 17 anos e outra de 13.

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