Uma mulher de 36 anos faleceu ontem no Hospital da Zona Norte (HZN) à espera de vaga em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Marinete Batista Pires, 36 anos, foi internada na véspera apresentando quadro de gastroenterocolite aguda (diarréia) e desidratação. De madrugada, segundo o diretor geral do hospital, Adilson Castro, o quadro se agravou e por volta das 7 horas de ontem foi constatada infecção generalizada.
De acordo com o médico, neste horário o hospital acionou a Central de Leitos para conseguir uma vaga em hospital terciário, o que não foi possível. Às 13 horas Marinete apresentou hemorragia pulmonar e às 13h30 ela faleceu.
Enquanto isso acontecia, no Hospital Universitário de Londrina (HU) a situação também era caótica. A superlotação na UTI chegou ao pior momento de manhã, quando oito pacientes aguardavam por uma vaga no setor, internados em corredores e salas do hospital. Na semana passada, ao menos três outros pacientes de UTI já haviam morrido em salas do Pronto-Socorro (PS) da unidade que, segundo médicos residentes consultados pela reportagem da Folha, enfrenta o problema diariamente. Ontem à tarde, após remanejamento interno, havia seis pacientes aguardando por vagas.
Estudantes e residentes do HU improvisaram leitos de UTI em quartos de enfermaria, PS e emergência do hospital, para atender ao excesso de pacientes que estaria esperando por vagas desde o início da semana. ''Todos são pacientes em estado grave ou gravíssimo, que estão entubados. A superlotação era grave desde a semana passada, quando três pacientes graves morreram no PS, e ficou crítica ontem, com a chegada de mais pessoas'', descreveu um dos alunos.
Nenhum dos funcionários consultados pela Folha atribuiu as mortes à falta de vagas na UTI, mas todos admitiram que o improviso instalado em outros departamentos compromete decisivamente o atendimento. ''Na UTI, temos mais funcionários e os equipamentos são mais modernos. Aqui no PS, todos estão sobrecarregados'', descreveu o médico residente Roberto Queiróz.
As perspectivas para alívio da superlotação também não agradam os funcionários e familiares de pacientes, já que, segundo o médico e vereador Tercílio Turini (sem partido), as 17 pessoas que ocupam atualmente as vagas de UTI do HU também se encontram em estado grave, sem previsão para liberar os quartos.
''Enfrentamos constantemente este problema e sempre temos pacientes internados em corredores do hospital. Mas em mais de 30 anos em que estudo e trabalho como médico no HU, nunca vi oito pacientes aguardando por vagas na UTI. E a superlotação é generalizada, já que temos até pacientes com tuberculose, situação que exige isolamento, internados em salas de estudos'', destacou Turini.
Uma das vítimas da superlotação era a mãe da professora Vera Lúcia Knoll, a aposentada Iraci Paschoal Knoll. Segundo Vera, Iraci, que é paciente do HU há algum tempo e tem problemas circulatórios e diabetes, sofreu uma crise de saúde na segunda-feira, quando precisou de atendimento. ''Moramos em Cambé e acionamos o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Eles se recusaram a nos levar para o HU. Então peguei meu carro e dirigi até Londrina. Quando chegamos, minha mãe tinha sofrido parada respiratória e estava quase morrendo. Ela trabalhou 32 anos para o Estado e agora tem que esperar por uma vaga de UTI no PS'', indignou-se.

mockup