Mulher luta por justiça 5 anos após tragédia
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sábado, 18 de janeiro de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
''Enquanto eu tiver forças, vou continuar buscando justiça'' - afirmou a assistente social Lelia Maria Luz Reis Refundini, 42 anos, de Londrina. Há cinco anos ela espera uma decisão judicial sobre o acidente ocorrido em janeiro de 1998, quando seus dois filhos e mais quatro pessoas da família morreram. Desde então, ela cria dois sobrinhos. Os três foram os únicos sobreviventes do acidente.
Lelia move dois processos na Justiça. O primeiro, contra o motorista da carreta envolvida no acidente, Valdivino da Silva, e o segundo contra a transportadora Eucatur, proprietária do caminhão e empregadora de Silva. Segundo ela, a tragédia foi provocada por imperícia do motorista que bateu a traseira do caminhão no lado esquerdo da veraneio em que sua família viajava. ''Temos depoimentos de outros motoristas que trafegavam pela mesma rodovia no horário do acidente e confirmam que o motorista dirigia perigosamente'', explicou.
O choque entre os veículos aconteceu numa curva da estrada entre Imbaú e Ponta Grossa, no início da noite de 15 de janeiro. De acordo com a assistente social, a pista estava molhada e a chuva era fraca. A veraneio, com seis adultos e três crianças, saiu de Londrina em direção à Guaratuba (litoral). ''Íamos fazer a mudança de minha irmã. Estávamos subindo devagar quando tudo aconteceu. Acho que me salvei porque não era minha hora'', disse Lelia, que foi jogada para fora do carro porque viajava sem cinto de segurança.
Sua intenção é levar o motorista a júri popular mas, por enquanto, não tem uma resposta. Ela criticou ainda a morosidade para julgar cada recurso impetrado. ''Esta é a segunda vez em minha vida que assumo a acusação. Não gosto dessa incumbência e só aceitei porque me comovi com o sofrimento de Lelia'', disse João dos Santos Gomes Filho, responsável pela caso na Vara Criminal. O advogado João Tavares de Lima Filho, contratado por Lelia na ação civil, supõe que se o motorista for condenado criminalmente, provavelmente a Justiça também dará ganho de causa à sua cliente no processo indenizatório que move contra a Eucatur.
O chefe do departamento jurídico da transportadora, Ramiro Dias, limitou-se a dizer que o caso deve estar a caminho do Tribunal de Alçada, em Curitiba, e que se a empresa for considerada culpada vai arcar com todas as suas obrigações.
Por enquanto, a assistente social continua aguardando uma posição da Justiça e também da Comissão de Direitos Humanos (CDH), de Londrina. ''É um compromisso que tenho com a família da minha irmã e com meus filhos'', arrematou.


