Mulher luta para cuidar de 6 netos
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sexta-feira, 20 de novembro de 1998
Paulo Ubiratan 
A dona de casa Shirlei de Souza, 51 anos, é conhecida como supervó no Conjunto José Bonifácio, zona sul de Londrina. Ela cuida de seis netos com idades entre nove dias e 12 anos. Não dá para deixar estes bichinhos queridos soltos no mundo. Estou cumprindo com minha obrigação, fazendo o que posso para eles sobreviverem e serem alguém na vida, afirmou.
Há nove dias chegou para ela cuidar mais o neto Moisés, filho de Adriana Lucas de Medeiros, 20 anos, que está presa no 2º Distrito Policial. Ela foi condenada há dois anos e 11 meses por ter furtado um relógio e está proibida de amamentar a criança. As celas superlotadas não permitem que um recém-nascido fique perto da mãe. Conforme a avó, separado da mãe, Moisés está perdendo peso a cada dia que passa.
Quando trata de saúde fico sem saber o que fazer. O Moisés não está querendo tomar leite de vaca e está ficando cada vez mais fraquinho e pode até morrer, desabafou. Ela disse que levou o neto ao posto de saúde do bairro e o médico recomendou leite materno ou o leite Nan, mas ela não tem dinheiro para isto. Na prisão Adriana disse à Folha que está com bastante leite, mas não tem meios de mandar para o filho.
Mesmo temendo perdê-lo, Shirlei disse que o neto Moisés é um predestinado e viverá a qualquer preço com a ajuda de Deus. Ela contou que quando Moisés nasceu foi avisada pela maternidade para ir buscá-lo, caso contrário a criança seria dada para alguém. Peguei um mototaxi e pedi para o motoqueiro que saísse correndo, pois meu neto estava prestes a ser sequestrado afirmou. Durante toda a entrevista, ela ficou com Moisés no colo, rodeada pelos netos Jonatas (12 anos), Patrícia (11 anos), Evelen (7 anos), Braia (4 anos) e Mauri (1 ano e sete meses). Este último, segundo a avó, está com gripe forte há duas semanas e ontem estava com febre alta.
Estas crianças são o meu sonho. No entanto, já falei para as minhas filhas fazerem operação para não terem mais filhos. Na maternidade não sei porque não quiseram operar a Adriana. Estas crianças não tem culpa dos erros dos pais, comentou Shirlei. Ela tem outra filha que trabalha como diarista, mãe de Jonatas, Patrícia, Evelen e Braia. Segundo a avó, o seu marido é vigia e ganha cerca de R$ 250,00, e a filha não chega a receber R$ 150,00. Ela disse que com economia dá para sobreviver. A maior expectativa de Shirlei é que a filha Adriana seja libertada e volte para casa para cuidar do filho. Assim eu vou trabalhar e deixar minha filha em casa longe das drogas. Adriana poderá ser levada para o Presídio Feminino em Curitiba. Com isto Shirlei disse que perde as esperanças de conseguir ajuda de alguém, para diariamente buscar o leite de Adriana no 2º Distrito Policial.


