Mulher ganha na Justiça direito de fazer cirurgia
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2001
Marta Medeiros<br>De Maringá 
A dona de casa Isabel Volpe Ferraz, 38 anos, de Maringá, espera que o Estado cumpra a decisão da Justiça Federal que determinou a realização da cirurgia de gastroplastia para reduzir o estômago. O juiz Erivaldo Ribeiro dos Santos, da 3 Vara Cível Federal, assinou a sentença anteontem, determinando que o Estado do Paraná e a União providenciem a cirurgia. Segundo o juiz, a gastroplastia deve ser realizada mesmo com a greve dos servidores do Hospital Universitário (HU), única unidade de saúde da região credenciada pelo SUS para realizar a cirurgia.
Isabel está há mais de um ano na fila de espera do HU de Maringá. Como é a 21 pessoa da fila e o hospital realiza a média de um procedimento por mês, a cirurgia está prevista só para 2004. Pela sentença do juiz, o Estado deve providenciar a grastroplastia até maio de 2002. ''Não quis em nenhum momento furar a fila, mas apenas garantir um direito meu que está na Constituição Federal'', lembra Isabel.
Conforme a dona de casa, que está com 146 quilos e pretende chegar a 80 quilos com a cirurgia, os obesos carentes são obrigados a suportar a lentidão da fila e ocorrências como a greve dos servidores. ''Esta é segunda greve que enfrento e chega um momento que não dá mais para esperar'', comenta Isabel.
A dona de casa diz que chegou a escrever uma carta para o juiz relatando as dificuldades físicas e psicológicas pelas quais passa em razão da obesidade mórbida. Isabel entrou com o pedido na Justiça Federal, em junho de 2000, através da assistência judiciária gratuita realizada pelos acadêmicos de Direito do Cesumar.
A Folha procurou ontem a direção do HU, mas em razão da greve, nenhum diretor foi localizado. O superintendente Vicente Kira estava viajando. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde a decisão sobre o procedimento deve partir do HU de Maringá, mas a greve está impedindo uma solução para o caso.


