Seduzida por um salário de R$ 3 mil para
trabalhar em lanchonete, encontrou outra realidade
Ney de Souza‘‘Marcela’’ diz que foi enganada por ‘‘agenciadores’’ em FozMarcela (nome fictício), 23 anos, apanhou, passou frio, e foi escravizada durante dois meses em um bordel em Lajiora, região de Córdoba, Argentina. Seduzida por um salário de R$ 3 mil, ela e outras quatro garotas embarcaram, em julho deste ano, para uma viagem esperando trabalhar em uma lanchonete, mas encontraram outra realidade. Ontem, ela concedeu a seguinte entrevista à Folha:
Folha – Como funcionava o ‘‘atendimento’’ da boate?
Marcela – A gente trabalhava das 8 da noite às 11 da manhã do outro dia. Cada programa custava 10 pesos (cerca de R$ 20,00). Mas o pagamento só saía no fim do mês.
Folha – Como vocês eram tratadas na boate?
Marcela – Quando não atingíamos uma cota determinada pela dona, a gente recebia tapas e apanhava de mangueira de borracha. As vezes, ela mandava tirar a roupa e deixava a gente fora da casa, aguentando um frio de até 2 graus.
Folha – Como você conseguiu sair de lá?
Marcela – Durante dois meses elas me prenderam. Como meus familiares aqui no Brasil, ameçaram denunciar à polícia, ela me deixou vir embora. Só que dos R$ 3 mil que deveria receber, não consegui nada.
Folha – Quantas mulheres tinham lá?
Marcela – Acho que uma 30. Mas havia um rodízio. A cada dia, três saíam e três chegavam. A maioria brasileira.
Folha – E nestes dois meses que ficou lá, viu alguma menor?
Marcela – Tinha pelo menos umas 15 menores. Acho que 12 eram brasileiras. Todas com documentos falsos. (E.D.)

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