Mulher espera há quatro anos por cirurgia
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segunda-feira, 05 de julho de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Uma espera de mais de quatro anos por uma operação no joelho e um jejum de 13 horas antes de receber a notícia de que a cirurgia seria mais uma vez adiada são apenas dois dos indícios do descaso com que a dona-de-casa Vanilde Domeze Romagnolo, 57 anos, estaria sendo tratada pela direção do Hospital Universitário (HU). Além de tentar a operação para implantação de uma prótese no joelho direito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2000, ela teve a aposentadoria por invalidez interrompida em março de 2003 sem explicações do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
Segundo o relato da dona-de-casa, que sofre de artrite reumática há 27 anos, a operação no joelho vem sendo remarcada desde agosto do ano passado, data do primeiro adiamento. A espera, no entanto, é mais longa. ''Em 2000 eu tive o tornozelo operado pelo SUS no HU e desde então venho tentando marcar a operação do joelho com o doutor Ivan (José Blume Domingues, chefe da Ortopedia). Em maio de 2003 consegui agendar a cirurgia para agosto do mesmo ano, mas nem cheguei a ser internada quando a direção do HU me disse que o centro cirúrgico estava lotado'', lembrou.
Conforme conta Vanilde, as ligações periódicas à direção do HU desde então pareciam ter dado resultado na terça-feira da semana passada, quando ela teria sido comunicada que a operação seria realizada na sexta (dia 2). ''Fui internada e comecei a fazer uma dieta especial para a operação. Na quinta-feira, tomei os remédios pré-operatórios e à meia-noite comecei o jejum'', relatou.
A decepção veio às 13 horas da sexta, quando a operação deveria ser realizada. ''Um médico da equipe da operação veio até a minha cama e me disse que a cirurgia seria adiada para domingo por causa de um atraso em outra operação'', explicou. ''Fiquei sem almoço e estava sedada. Às 18 horas de sexta, o doutor Ivan me disse que a cirurgia não ia mais acontecer no domingo'', contou.
''Me garantiram que eu seria chamada para uma nova internação'', afirmou. A operação, que dura em média seis horas, é aguardada com grande ansiedade por Vanilde. ''Tenho dificuldades para andar, tomar banho, cozinhar ou fazer qualquer outra atividade comum'', contou, destacando ainda a convivência diária com a dor.
Antes de sair do hospital, Vanilde disse ter obtido a garantia de Blume de que a operação seria realizada nesta sexta-feira (dia 9). A assessoria de imprensa do HU confirmou a nova data para a cirurgia, mas reafirmou que um novo adiamento pode acontecer se acontercer alguma operação emergencial. Ainda de acordo com a assessoria, na semana passada, o procedimento foi adiado porque uma cirurgia anterior atrasou e a mesma sala seria utilizada.


