Mulher é sorteada duas vezes para o primeiro prêmio
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de janeiro de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Ganhar na loteria, em sorteios ou rifas já é difícil. Imagine, então, ser sorteado duas vezes e ainda por cima no mesmo concurso. Pois foi o que aconteceu com a funcionária pública Elisete Pereira. Entre 560 mil cupons que concorriam na campanha ''Natal Feliz é no Centro Vivo'', realizada pela Associação Comercial do Paraná (ACP), em Curitiba, Elisete conseguiu a proeza de ser contemplada duas vezes para o primeiro prêmio, um carro Fiat Palio, no valor de R$ 25 mil.
''Acho que o carro tinha que ser meu mesmo'', comemorava Elisete, que ontem passou o dia rindo à toa. Motivos ela tinha de sobra. O sorteio aconteceu anteontem, na Rua XV de Novembro, no Centro, na frente da sede da ACP. A urna, com 560 mil cupons, era tão pesada que precisou de oito homens para ser carregada até o local. Primeiro foram sorteados dez celulares e cinco canetas Schaffer. Um pedestre foi chamado para sortear o ganhador do primeiro prêmio. Mas o cupom foi descartado pelo auditor do Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar) porque, apesar de ter todos os dados do cliente, não tinha o carimbo da loja, o que era exigido pelo regulamento da campanha.
Novo sorteio, e sai o cupom de Elisete. Foi então que Jonel Chede, presidente do Conselho Gestor do projeto Centro Vivo, cujo objetivo é revitalizar a região central da cidade, viu que o primeiro bilhete, que tinha sido anulado, também era dela. ''Foi a maior surpresa. Eu dei sorte para uma pessoa que não tinha carro'', dizia Chede, que sorteou o segundo bilhete.
Elisete concorreu com 30 cupons ganhos na compra de um celular para a filha Aline, de 17 anos. A compra foi feita dia 24 de dezembro, mas ela só colocou os cupons preenchidos na urna no dia 30, um dia antes do término da campanha. Elisete conta, no entanto, que sua sorte teve uma pequena ajuda da filha. ''No dia 30 nós ficamos um tempão sentadas na Rua XV preenchendo os cupons. De repente minha filha começou a fazer umas mandingas. Na hora de colocar os cupons, ela chacoalhou bem a urna e fez gestos como se um pai de santo tivesse descido. Na hora de colocar o último bilhete rezou o Pai Nosso. Acho que Deus estava conectado com ela nessa hora'', diz.
Apesar de não ter carro, ela venderá o veículo. Com o dinheiro, quer fazer uma pequena reforma em sua casa, localizada no bairro de Santa Felicidade, e investir em seu hobby: a ultramaratona. Trata-se de uma modalidade de corrida em distâncias superiores a 42 quilômetros. ''Como nunca tive patrocínio, tenho que pagar tudo com meu dinheiro'', conta. O esporte, segundo ela, é pouco difundido no Brasil, mas tem bons campeonatos no exterior.
Ano passado, Elisete participou de oito maratonas, sendo uma na Argentina. Na sua última competição, em São Caetano (SP), correu por quase 23 horas e ficou em quinto lugar entre as mulheres. Agora ela se prepara para a ultramaratona que acontece no início de fevereiro, na Cordilheira dos Andes, quando participará como única brasileira em uma equipe de 13 mulheres. Só nessa competição ela calcula que gastará R$ 4 mil.


