Mulher é presa por prostituição infantil
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de março de 1998
Luiz Carlos Dias Junior Especial para a Folha 
A Polícia Civil de Guarapuava começa a ouvir esta semana os acusados de envolvimento em prostituição infantil com o uso de seis menores. Na tarde de sexta-feira, as menores foram encontradas em uma casa do Núcleo Daniel Mansani. A dona da residência, Leonor Martins, foi presa após denúncia anônima feita ao Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente.
Segundo o delegado-adjunto da 14ª Subdivisão Policial de Guarapuava, Sidnei Martins Leal, as menores têm entre 11 e 16 anos de idade. Dentro da residência foram encontrados um caderno com os nomes dos homens que frequentavam a casa e fotos em que as menores aparecem tirando a roupa e ingerindo bebidas alcoólicas, informou. Numa das fotos apreendidas pela polícia, aparece uma criança no colo de Leonor, presenciando cenas pornográficas.
Além de anotar os nomes das meninas no caderno, Leonor Martins tinha o cuidado de assinalar o nome do freguês, o dia, a hora e o valor cobrado por cada programa. Segundo uma das menores, o valor girava em torno de R$ 100,00. Desse total, R$ 43,00 ficavam para a menina e R$ 57,00 para Leonor.
O delegado tem até o meio da semana que vem para concluir o inquérito e acredita que houve corrupção de menores. Estamos aguardando os exames para anexar nos laudos, mas nos casos em que não houve penetração devem ter ocorrido atos de libertinagem com as menores, disse.
Segundo ele, os homens cujos nomes aparecem no caderno serão ouvidos.
A dona da casa disse à polícia que as menores E.J.S.S., 11 anos, J.R.L., 14 anos, L.K., 14 anos, A.M.L., 15 anos, M.L.C., 14 anos, e M.T.C., 16 anos, trabalhavam para ela de empregadas domésticas. Em seu depoimento, Leonor negou que estivesse explorando sexualmente as menores e os homens que aparecem nas fotos eram seus amigos, que costumam visitá-la. Mesmo reconhecendo que as fotos foram tiradas em sua casa, Leonor afirmou que não sabe quem as tirou e nem como as menores aparecem nelas.
O destino das meninas, conforme o Conselho Tutelar, deverá ser decidido pelo Ministério Público. Segundo a conselheira do órgão, Vanda Aparecida Palazon Noellerleily, as menores serão encaminhadas para as famílias e, se decidirem, receberão tratamento psicológico ou qualquer outra medida sócio-educativa escolhida pela juíza. O Conselho Tutelhar de Guarapuava recebe denúncias anônimas, mas na maior parte das vezes não é dado o flagrante ou não se pode comprovar a prostituição.


