Ibaiti – Uma mulher de 32 anos de idade, moradora de Ibaiti (Norte Pioneiro), está presa na 37ªDelegacia de Polícia Civil por não pagar pensão alimentícia aos quatro filhos menores. As crianças vivem com o pai em Curitiba. A mulher foi presa na última segunda-feira depois que uma carta precatória foi expedida pela 4ªVara de Família do Fórum Central da Região Metropolitana de Curitiba.
  Segundo informações do Cartório Civil de Ibaiti, o mandado de prisão é de 60 dias. A mulher trabalha como diarista e não chega a ganhar um salário mínimo por mês. De acordo com informações obtidas na Delegacia Civil de Ibaiti, o valor que ela deve é de R$ 2 mil reais.
  A irmã da mulher, que preferiu não se identificar e que reside em Curitiba, explicou que ela se separou do marido há mais de dez anos e deixou os filhos com ele por não ter condições de criá-los. ‘‘Ela foi embora para Ibaiti mas não sei direito como eles decidiram isso (guarda das crianças). Ela sempre trabalhou como servente e ganhava pouco. Ele trabalha como autônomo recolhendo material reciclável. Com o tempo perdemos o contato com ela e eu mesma nem sabia que havia sido presa’’, comentou, em entrevista à FOLHA por telefone.
  A mãe da diarista, uma aposentada que mora em Ibaiti, é quem está tentando ajudar a filha. Mas, segundo a irmã, até agora não conseguiu encontrar um advogado.
  A detenta está sozinha em uma cela construída recentemente para abrigar presos civis. De acordo com os policiais da delegacia, ela está bem e pode receber visitas somente uma vez por semana assim como todos os demais presos. Atualmente a delegacia de Ibaiti tem capacidade
para 16 presos mas conta
com 55 detentos.

Caso raro
  Casos de prisões por falta de pagamento de pensão alimentícia envolvendo mulheres é incomum no Paraná. Em Londrina, onde existem duas Varas de Família para atender uma população de 500 mil habitantes, há registros de apenas três casos. A juíza de Direito Cristiane Tereza Willy Ferrari, que atualmente responde pela 2ªVara de Família, se recorda de apenas um caso quando ainda atuava na Vara de Execuções Penais e Corregedoria dos Presídios.
  ‘‘Realmente isso é um caso bastante raro. Normalmente a ação é contra o pai e não contra a mãe. Assumi a 2ªVara no final do ano passado e até o momento não aconteceu nenhum caso e me lembro de apenas um quando estava na VEP. Um de nossos trabalhadores aqui da 2ªVara que atua há mais de dez anos só se recorda de um caso, há uns cinco anos mais ou menos que acabou virando notícia nos jornais’’, disse.

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