Mulher é presa por causa de 3 l de leite
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terça-feira, 21 de julho de 1998
Marccio W. Varella 
A copeira Etenilde Barbosa Rogê, 38 anos, casada, dois filhos, ficou presa durante 12 horas em uma cela da 9ª Subdivisão Policial acusada de ter roubado três litros de leite do Hospital e Maternidade Maringá. Etenilde disse à Folha que foi vítima de uma trama para forçar sua demissão por justa causa e assim evitar que o hospital lhe pague os direitos trabalhistas. Ela trabalha há quatro anos no Hospital Maringá e tem carteira assinada com salário mensal de R$ 180,00.
O advogado da copeira, Israel Moura, vai entrar com ações cível, trabalhista e criminal contra o hospital. Vamos querer saber se houve fraude caluniosa, se a barra foi forçada para o hospital não pagar os direitos trabalhistas, se o hospital alimenta e trata bem seus funcionários. Vamos acionar todas as áreas para deixar a história muito bem esclarecida, afirmou Moura.
Etenilde contou que entrava no serviço às 13 horas. Anteontem, antes de ir trabalhar, ela disse que passou num mercado e comprou três litros de leite tipo longa vida (em caixa), que guardou numa bolsa e deixou no armário dela, dentro do vestiário. Às 18 horas, depois de recolher os pratos dos pacientes, ela foi se trocar e notou que a fechadura do seu armário estava arrombada. É como se alguém tivesse arrombado o armário para verificar o que eu tinha dentro da bolsa. Não levaram nada, nem o pagamento e nem os vales que eu tinha acabado de receber, disse Etenilde.
Segundo funcionários do hospital, ninguém é revistado na hora da saída. Mas na segunda-feira houve revista no pessoal da cozinha. Etenilde foi barrada e acusada de estar furtando leite do estoque do hospital. A Vera, que é a chefe do pessoal, foi estúpida e grossa comigo, disse que se eu assinasse o pedido de demissão ela não chamaria a polícia. Argumentei que eu já tinha quatro anos de hospital, que não iria assinar nada. Aí fui presa, fiquei numa cela com mais três mulheres, não me deram nem um cobertor, contou Etenilde.
O juiz Luís Carlos Gabardo liberou Etenilde às 10 horas de ontem. Ela foi presa pela PM às 22 horas de segunda-feira. Foi a primeira vez na minha vida que fui presa. Senti muita vergonha. Por isso não quero ser fotografada, disse ela. No hospital, ninguém quis dar declarações sobre a demissão da copeira. Nem o sobrenome da chefe de pessoal os funcionários foram autorizados a revelar.


