Em três dias, dois homicídios passionais ocorreram na Região Metropolitana de Londrina, chamando a atenção para os casos de violência doméstica. Na quarta-feira, uma briga de casal terminou em morte no Jardim Primavera, em Arapongas. Admilson Bispo dos Santos, 47 anos, morreu ao ser atingido por um único golpe de faca desferido pela mulher, de 34 anos, que disse à Polícia Civil que não aguentava mais as constantes agressões do marido. O casal estava junto havia 13 anos e tinha dois filhos.
Durante a madrugada de ontem, Dayane Agda dos Santos, 21 anos, foi morta na frente das filhos, no quarto onde elas dormiam, no Conjunto Hilda Mandarino (Zona Norte de Londrina). Segundo informações da avó da vítima, Iraci dos Santos, que passava férias com Dayane, o ex-marido Paulo Henrique Rabelo, 23 anos, invadiu a casa por volta das 5h30, disparando três tiros contra ela e fugindo em seguida. Os tiros atingiram o pescoço e o abdômen.
''Não tivemos nem tempo de reação. Tudo que eu pensava era que eu e as crianças seríamos as próximas vítimas'', contou Iraci, ainda bastante assustada. ''Eu cheguei a ouvir quando ele pulou o muro e tentei avisar minha neta, mas ela não deu importância, dizendo que o barulho era no bar'', lamentou.
Segundo a avó, uma das meninas, de 3 anos, que é filha de Paulo, teria visto tudo, ficou muito abalada e gritava o tempo todo que o pai tinha matado a mãe. Dayane morreu na hora. A garota de 3 anos e a bebê de 3 meses, fruto de uma outra união de Dayane, estavam ontem sob os cuidados de uma amiga da vítima.
Segundo o amigo de infância de Dayane, Lucas Vinícius Soares, a jovem reclamava constantemente das ameaças e agressões do ex-marido, que seria muito ciumento. Porém, segundo ele, a jovem nunca havia registrado queixa na Polícia por não acreditar que ele teria coragem de matá-la. ''Na última segunda-feira, eles chegaram a se encontrar nos posto e ele disse que a mataria, mas, como sempre, ela enfrentou o Paulo e não deu importância para a ameaça'', disse o amigo.
Soares informou que o casal estava morando junto desde de janeiro e teriam se separado em junho. De lá pra cá, o ex-marido estaria ameaçando-a constantemente por não aceitar a separação. ''Estou muito triste. A Dayane era como se fosse minha irmã. Nos conhecemos desde criança e ela estava sempre alegre, era espontânea. Não tinha tempo ruim com ela'', destaca o amigo.
O sepultamento está marcado para hoje, às 8h30, no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte).

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