Três menores e uma senhora denunciaram, ontem, que foram espancados por policiais militares no início da manhã de domingo. José Rodrigo Marques dos Santos, 17 anos, teve a perna quebrada após apanhar de cacetete. O motivo, segundo conta, é que teria festejado aniversário - na casa de amigos -, na noite anterior, com o som alto.
Vilma Rubim, dona da casa onde se realizou a festa (na Rua Uruguai, centro da cidade) e mãe de Agnaldo Rubim, 16 anos, também agredido, conta que os policiais estiveram na casa, à noite, pedindo para que o som fosse baixado. Ela afirmou que todos os vizinhos viram que os jovens baixaram o som. Vilma disse não entender o motivo de os policiais terem voltado pela manhã e tomado atitudes truculentas.
Vilma mora com Agnaldo e outro filho de 3 anos. No momento em que os policiais invadiram a casa, estava ainda no local o sobrinho dela Elison Gonçalves Rubim, 15 anos, também agredido.
‘‘Eu não deixo meus filhos saírem e faço questão que permaneçam em casa, diante de tanta desgraça que está acontecendo na cidade. Eu mesma promovo estas festinhas e, infelizmente, acontece esta barbaridade. Mesmo que eles estivessem com som alto isto não poderia acontecer’’, desabafou.
A truculência policial teria começado por volta das 6h30, quando uma viatura parou em frente a casa e chamou Vilma. Quando ela saiu para a rua começou a ser agredida verbalmente com palavras de baixo calão. ‘‘Quando vi os policiais dizendo palavrão para a dona Vilma e batendo neles, tentei telefonar para o 190. Mas eles me deitaram no chão e começaram a me bater’’, acrescentou José Rodrigo.
‘‘Eles disseram que o som continuava alto. Tentei ponderar que não, mas eles gritavam me ofendendo moralmente. Meu filho pequeno está traumatizado até agora pelo que viu’’, relatou Vilma. O filho Agnaldo foi pego pelos cabelos ao pedir satisfação aos PMs. Ele disse que tentou sair correndo e recebeu socos no rosto e depois foi algemado. O sobrinho Elison afirmou que foi acordado pelos policiais com socos e pontapés, antes de ser algemado.
Na confusão, Vilma, o filho, o sobrinho e o amigo foram colocados em uma viatura e levados para a 10ª Subdivisão Policial (SDP), onde ficaram por mais de três horas em uma cela. Na 10ª SDP, ela foi autuada em flagrante pelo delegado Nasser Salmen por desacato a autoridade e teve que pagar R$ 50 de fiança para ser solta.
Os menores foram levados para a Delegacia de Menores e depois liberados. ‘‘Eu chorava de dor, estava desesperado quando fiquei na cela e ninguém foi capaz de nos dar nem um copo de água’’, desabafou José Rodrigo, que está com a perna engessada.
Os oito PMs envolvidos no caso não foram identificados pela Polícia Civil. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Silvio Luiz Mazalotti afirmou à Folha que mandou abrir sindicância para apurar as denúncias. ‘‘Mais uma vez vou repetir que não vou aceitar este tipo de comportamento do policial militar. A partir desta semana, vamos incentivar, com prêmios, os bons soldados e assim tentar humanizar mais a tropa’’, afirmou Mazalotti.Josoé de CarvalhoRevoltaVilma Rubim, dona da casa onde foi realizada a festa de aniversário de José Rodrigo Marques, com os rapazes agredidos: ‘Mesmo que eles estivessem com o som alto, isso não poderia acontecer’Paulo Ubiratan

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