Mulher e filho de nove anos são assassinados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de setembro de 2003
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba Lágrimas e muita tristeza marcaram ontem o enterro da empregada doméstica Cléia Alves de Oliveira, 30 anos, e seu filho, Alexandre Alves de Oliveira, nove anos, assassinados dentro de casa, no bairro Barro Preto, em são José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Os suspeitos são o namorado de Cléia, Ezequiel Araújo Faria, 22 anos, e um amigo dele, W.Y., 17 anos. O crime aconteceu na semana passada, mas os corpos só foram descobertos na quinta-feira, em uma fossa nos fundos da casa.
A irmã da vítima, Sueli Alves de Oliveira, informou que Faria estava morando com Cléia há cerca de três meses. Ela e o filho foram mortos com golpes na cabeça. Faria e o adolescente utilizaram, segundo o delegado Noel Francisco da Silva, uma estatueta de madeira para cometer o assassinato. Os dois estão presos na delegacia do município.
Segundo o delegado, os acusados e os corpos das vítimas foram localizados graças a uma denúncia anônima. O delegado afirmou que Faria mostrou onde estavam enterrados os corpos e denunciou o colega. ''O menor disse que não havia ajudado a matar. Afirmou que Faria teria oferecido R$ 150,00 para que ele executasse o serviço, mas ele teria recusado'', relatou. ''O menor disse ainda que teria apenas observado o assassinato.''
No entanto, de acordo com o delegado, Faria reafirmou que seu amigo ajudou no crime. ''São essas disparidades nos depoimentos que nos levam a crer que foram os dois os assassinos'', afirmou Silva. Em depoimento à policia, Faria alegou ter matado a namorada porque estava sendo traído e ameaçado de morte por ela. O acusado disse ainda que o filho de Cléia porque ele teria presenciado a cena. O garoto teria sido estrangulado antes de receber os golpes.
A outra filha de Cléia, de sete anos, sobreviveu porque estava na casa de Sueli, que mora ao lado. Sueli informou que o menor costumava frequentar a casa do casal, mas não tinha contato com ele.
Segundo Sueli, Cléia trabalhava como diarista em São José dos Pinhais e desapareceu no dia 8 deste mês. ''Depois de três dias, Faria ligou dizendo que ela estava bem e que estava em Paranaguá. Até sexta-feira ele mantinha contato com a gente. Depois sumiu.''
Segundo o delegado, outro adolescente teria ajudado a ocultar os cadáveres, mas a informação ainda está sendo investigada. W.Y. será encaminhado à Delegacia do Adolescente. Faria deve responder por duplo homicídio qualificado. Nenhum deles tinha passagens anteriores pela polícia. Nos próximos dias, a polícia deve ouvir as duas irmãs de Cléia e dois parentes de Faria.


