Mulher é assassinada a tiros na Zona Norte
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de novembro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O brutal assassinato de uma mulher não identificada, no início da tarde de ontem, fez Londrina completar cinco dias seguidos com registros de homicídios no mês de novembro. Já são 122 mortes no ano. Os crimes, bárbaros e por motivos cada vez mais fúteis, são de difícil prevenção, segundo as polícias. Mas, por outro lado, a participação popular é fundamental para uma cidade que não quer mais apenas continuar contando seus mortos.
A mulher assassinada ontem recebeu pelo menos quatro disparos. Aparentando ter entre 25 e 30 anos, ela foi encontrada sentada, encostada em uma árvore, no acesso a um sítio na Rodovia Carlos João Strass (Zona Norte). Ao cair, teve a boca perfurada por uma armação de ferro que havia no local. Ao lado do corpo, três papelotes de crack. No bolso, nenhum documento. Nas mãos, apenas um blusa vermelha. Logo após os disparos, por volta das 14 horas, quatro homens foram vistos abandonando o lugar a pé.
Com esse crime, Londrina chegou ao 7º homicídio de novembro, sendo que os cinco últimos foram cometidos nos últimos cinco dias. Nessa onda de mortes, todas igualmente cruéis, algumas chamam a atenção pela banalidade absurda como a do estudante Gabriel Guimarães, 20, ou a de Carlos Henrique Rodrigues, 23, esfaqueado por causa de uma roda de bicicleta.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, explicou que os crimes contra a vida não são previsíveis e não seguem cronograma. Ele lembrou que os assassinatos estão diminuindo desde 2004 mas admitiu que ''continuam sendo expressivos''. A queda, analisou o delegado, é fruto, dentre outras razões, da maior participação comunitária no trabalho das polícias, da especialização no trabalho de investigação dos homicídios e da maior agilidade na expedição de mandados de prisão contra suspeitos.
Tese semelhante também foi levantada pela Polícia Militar. O Relações Públicas do 5º Batalhão da PM, tenente Ricardo Eguedis, apontou que a corporação trabalha em conjunto com a Civil na tentativa de esclarecer os homicídios e prender os suspeitos. Ele lembrou que a PM tem se aplicado na tentativa de apreender armas e identificar traficantes e quadrilhas especializadas em assaltos. Ele ressaltou que esse trabalho, no entanto, depende muito da participação da comunidade, que pode fornecer informações através dos telefones 181 (PM) e 147 (PC).
Quem também pediu maior envolvimento popular nos assuntos ligados a segurança pública foi o presidente da ONG Londrina Pazeando, Luiz Cláudio Gualhardi. Ele observou que a cultura da violência está tão disseminada na sociedade que é preciso haver um esforço coletivo no sentido de se reeducar para a paz. ''As pessoas, quando surgem situações de conflito, acabam tentando resolvê-los de forma violenta e infelizmente, nos últimos tempos, à bala. É preciso mudar essa cultura bélica, que está muito introjetada socialmente.''
Cansados de serem testemunhas, e vítimas de crimes, moradores do Parque Guanabara se reuniram ontem na Câmara Municipal para pedirem a reativação do 6º Distrito Policial no bairro. Em 2000, o DP foi recambiado para a sede da 10 Subdivisão Policial e, agora, os quase 30 mil habitantes da região querem seu retorno. Na segunda-feira, eles serão recebidos pelo secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, em Curitiba.
A Folha procurou o prefeito Nedson Micheleti, através da assessoria de imprensa, mas ele não retornou a ligação até o fechamento da edição.


