A mulher do delegado morto na semana passada em Curitiba, Orlanda Vidal Pereira, de 57 anos, afirma que sofreu um atentado à bala, ontem pela manhã por volta das 7h15, quando saiu nas imediações do condomínio onde mora, no bairro de Sítio Cercado, para passear com seu cachorro. O delegado da Delegacia de Homícídios, Stelio Machado, não acredita na versão porque os investigadores não encontraram nenhum indício do suposto atentado. Orlanda declarou que sabe que vai morrer e que não vai se calar.
Muito nervosa, Orlanda Vidal contou que um dos dois homens que estavam num Kadett saiu do carro e atirou na direção dela duas vezes. Uma bala teria passado ao seu lado em direção ao chão de terra; outro tiro teria passado por cima do cachorro que estava com ela.
Em pouco tempo chegaram viaturas da Polícia Militar, membros da Delegacia de Homicídios e do Grupo Tigre, que estão acompanhando o caso e dando segurança à família. Os investigadores do Tigre não acharam sinais de ‘grampo’ no telefone da casa. A Polícia Civil confirmou que havia marcas de pneus no chão onde teria parado o carro de onde desceu o homem que atirou contra Orlanda, mas não pôde fazer exames mais detalhados porque pessoas se juntaram no local, desmanchando possíveis provas. O atentado não teve testemunhas. O porteiro nega que ter visto alguma coisa ou ouvido tiros. Orlanda Vidal chegou a desmaiar e foi levada pelo filho para ser atendida num posto de saúde no bairro.
Orlanda confirmou que o delegado Jaime Gonçalves de Castro, de 45 anos, com quem vivia maritalmente, foi executado por membros da própria polícia. Ela contou que Castro estava sofrendo ameaças de morte desde que começou a investigar um crime que teria sido cometido pelo policial Guto Paredes. O policial atropelou e matou Érico Bruni, dia 5 de abril, dirigindo um carro roubado. Há 15 dias, um policial teria ido até o gabinete de Castro, na 2ª Delegacia de Trânsito de Curitiba, para avisá-lo de que ele iria morrer.
Ao contrário do que vinha sendo divulgado pela imprensa, Orlanda era companheira de Castro, e não mãe adotiva, conforme havia declarado. Ela disse que o casal tinha o hábito de se tratar desta forma em função da diferença de idade, que ela considerava constrangedora.

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