Luciana Pombo
De Curitiba
A doméstica Sirlene Aparecida Pinto, acusada de ter intermediado a adoção do casal de gêmeos de Campo Largo para o pastor e deputado estadual Edson Praczyk (PL), se apresentou ontem ao Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). Foragida desde que a notícia da intermediação das crianças foi divulgada pela imprensa, Sirlene confirmou que deixou Curitiba depois de ter sido aconselhada pelo chefe de gabinete de Praczyk, Paulo Ronaldo de Andrade. ‘‘Ele me orientou a sair da cidade até resolver a situação’’, afirmou ela.
Sirlene Aparecida disse que passou um mês numa casa alugada em Guaratuba, litoral paranaense, e foi para a casa de amigos em São Paulo. Durante esse período, ela recebeu R$ 400,00 de Andrade para ajuda de custo. ‘‘Eu liguei pra ele duas vezes e pedi. Nunca houve qualquer tipo de ameaça’’, contou. Como ela estava com a prisão preventiva decretada, o delegado Harry Herbert, que está presidindo o inquérito, teve que pedir a revogação da decisão judicial para a comarca de Campo Largo. ‘‘Acho que ela colaborou muito com a polícia e esclareceu fatos que ainda estavam nebulosos. Não existem motivos para mantê-la presa’’, afirmou Herbert. A intenção é terminar o inquérito até quarta-feira e remetê-lo para a Justiça. ‘‘Vamos trabalhar bastante, por enquanto em sigilo’’, disse ele, sem divulgar as informações prestadas por Sirlene durante uma hora de depoimento.
A doméstica Sirlene Aparecida disse que não participou da transação para a adoção dos gêmeos. A única participação dela, segundo as informações prestadas ontem, teria sido um comentário que fez com Dalvanir Machado, obreira da Igreja Universal da Cidade Industrial de Curitiba. ‘‘Apenas passei as informações para a obreira da igreja, esta foi a única participação que tive em toda esta história’’, afirmou. Ela negou que tenha havido qualquer proposta ou pedido de material de construção ou cesta básica pelas crianças e disse que nem conhecia os pais biológicos. ‘‘Apenas sabia que queriam doar as crianças e que o pastor queria adotar’’, afirmou.
Sirlene Aparecida está sendo indiciada em inquérito e poderá responder o processo judicial trabalhando numa casa de família no bairro do Bigorrilho, em Curitiba.
O chefe de gabinete do deputado Praczyk disse ontem, em entrevista à Folha, que nunca deu qualquer orientação para que Sirlene Aparecida deixasse Curitiba. ‘‘Capaz!’’, reagiu ele. Ronaldo de Andrade negou ainda que tenha enviado dinheiro para a ajuda de custo dela durante o período em que Sirlene esteve foragida. ‘‘Não enviei dinheiro algum, nem falei com ela durante este período’’, afirmou.

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