Mulher denuncia vereadores por assédio
Edson MazzettoDecididaMaria Virginia Teixeira, ontem no Fórum de Cascavel, aguarda ser atendida por um promotorA ex-funcionária da Câmara Municipal de Cascavel, Maria Virginia Teixeira, 37 anos, dois filhos, foi ontem à Promotoria Pública denunciar assédio sexual contínuo de que teria sido vítima, praticado pelo vereador e secretário da Câmara, João Lima (PSDB). Maria Virginia diz ter sido demitida por recusar-se a favores sexuais e afirma também ter sido assediada uma vez pelo presidente da Câmara, Misael Pereira (PMDB). Os vereadores negam, dizem que ela foi demitida por não cumprir adequadamente suas tarefas, e que faz a denúncia em represália.
Maria Virginia Teixeira foi demitida no final do ano passado, depois de quatro anos e meio trabalhando como recepcionista, recebendo salário de R$ 417,00. Ela relata que João Lima praticou assédio inúmeras vezes, convidando-a para ir ao motel e com frases jocosas. Segundo ela, em uma ocasião o próprio presidente da Câmara teria usado palavras ainda mais explícitas para pedir-lhe favores sexuais, quando foi ao seu gabinete pedir um adiantamento salarial.
Segundo Maria Virginia, suas negativas resultaram na demissão. Com apoio de duas amigas, as jornalistas Lúcia Cassol e Lenita Carvalho, ela marcou encontro com João Lima (na casa de Lúcia), para que ele se comprometesse a arrumar-lhe novo emprego. Um cinegrafista, escondido, fez gravações de todo o diálogo. João Lima assumiu o compromisso do emprego, que seria tentado na prefeitura, e deu-lhe R$ 400,00 prometendo-lhe continuar dando dinheiro até ser empregada.
Maria Virginia diz não ter denunciado o assédio antes porque tinha a esperança de conseguir o emprego, o que não ocorreu porque precisa cuidar do marido, muito doente. João Lima admite ter-lhe dirigido galanteios, mas nega qualquer intenção de obter favores sexuais. Ele afirma que deu-lhe dinheiro apenas para ajudar. E para evitar um escândalo que envolveria a mim e a minha família, porque Maria Virginia e suas amigas haviam ameaçado denunciar o caso à Imprensa.
Talvez eu tenha sido ingênuo, mas asseguro que não tentei comprar-lhes o silêncio, porque sou absolutamente inocente, completa. O presidente da Câmara, Misael Pereira, afirma que renuncia ao mandato se houver uma ponta de prova contra ele. Assédio sexual não é crime pelo Código Penal, mas pode resultar em ação cível por falta de decoro, no caso de ocupante de cargo público, e em cassação de mandato, pela Justiça ou Câmara de Vereadores. Ontem não havia indícios de que a Câmara formaria comissão para investigar o caso.





