Uma história de assédio moral está sendo apurada pela Polícia Civil de Londrina e vai ser acompanhada pelo Conselho Permanente de Direitos Humanos, Secretaria Municipal da Mulher e entidades de combate à violência e discriminação. O caso envolve uma psicóloga de 50 anos e quatro agentes disciplinares da Casa de Custódia de Londrina (CCL), funcionários terceirizados do Instituto Nacional de Administração Prisional (Inap). O suposto assédio moral foi registrado na Delegacia da Mulher.
Ontem à tarde, a história veio a público durante uma entrevista coletiva na Secretaria Municipal da Mulher em que, além da secretária Márcia Lopes, participaram a advogada da psicóloga, Márcia Pessoa, os representantes do Conselho Permanente de Direitos Humanos, Jorge Custódio, e do Conselho Regional de Psicologia, Sérgio Ricardo Belon, entre outros.
A psicóloga estava na secretaria, mas a advogada preferiu não apresentá-la à imprensa para evitar constrangimento. Márcia Pessoa contou que a sua cliente teria viajado com quatro agentes a Jesuítas (108 quilômetros ao norte de Cascavel), em junho, para participar de um culto ecumênico pela morte do agente penitenciário Luiz Vanderlei Bozo, 36 anos, assassinado naquele mês, com sete tiros de pistola, quando trabalhava com um carrinho de lanche na Avenida Saul Elkind (Zona Norte).
''Injustamente, ela foi acusada de ter feito sexo com os quatro agentes disciplinares da Casa de Custódia e pressionada a pedir demissão. A mulher pediu que fosse aberta uma sindicância interna para apurar o caso e foi demitida no dia 10 de setembro por falta grave'', lembrou Márcia Pessoa, acrescentando que as relações sexuais, supostamente, teriam acontecido dentro do carro na volta para Londrina.
Márcia Pessoa afirmou que a psicóloga foi abordada pela gerência do Inap e pelo vice-diretor da Casa de Custódia, major Raul Vidal transferido na semana passada para Curitiba , que a teriam constrangido a pedir demissão. Segundo a advogada, os outros quatro funcionários não foram demitidos.
A advogada afirmou que está pedindo a rescisão de contrato de trabalho do empregador, no caso o Estado, e o Inap pelo que considera um constrangimento ilegal, assédio moral, calúnia e difamação, a que foi submetida sua cliente, que trabalha no instituto desde 2001, prestando serviços na CCL desde 2002.
O diretor da CCL, major Edison Marcos Tomaz, disse que, como o fato teria acontecido fora da unidade prisional e entre funcionários de uma empresa terceirizada, não há necessidade de se instaurar uma sindicância interna. ''É um fato isolado e não cabe a nós investigarmos. Os envolvidos são funcionários da empresa e não têm relação com a Casa de Custódia'', limitou-se a dizer.
Os responsáveis pelo Inap em Londrina não estavam na unidade prisional para comentar o assunto e não foram localizados pela reportagem da Folha.

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