Mulher de refém culpa Estado por falta de segurança
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de outubro de 2000
De Piraquara 
Familiares de agentes penitenciários que estiveram ontem em frente à Penitenciária Central do Estado temiam pela vida dos reféns e acusaram o governo do Estado pelo motim. Eu estou revoltada. Esses presos que estão rebelados foram os mesmos que tiveram a promessa de transferência na rebelião de junho. O Estado não cumpriu sua parte, mesmo depois de terem se passado quatro meses, reclamou Matilde Novik Vivi, mulher do agente penitenciário Osney Carlos Vivi. Seu marido era um dos funcionários da PCE mantido refém desde domingo à noite.
Matilde contou que o marido sempre ia para casa e falava sobre os problemas internos da unidade. Toda as vezes eu temia que ele viesse e não voltasse mais. Infelizmente, no domingo ele não voltou. E a culpa é das autoridades estaduais, disse ela.
A vice-presidente do Sindicato dos Servidores e Agentes Penitenciários do Paraná, Sandra Márcia Duarte, disse que, quando a rebelião terminar, a segurança da unidade deverá ser reforçada. A Polícia Militar tinha que ter reforçado as condições de segurança do local desde a última rebelião. Temos que colocar no local uma segurança ofensiva.
Sandra afirmou que, se isso não acontecer, os próprios agentes terão medo de continuar vindo para o trabalho. Na última rebelião da PCE, em junho, um agente ficou paralítico e um detento que participava do motim morreu do coração.
A vice-presidente do sindicato dos penitenciários, que acompanha de perto as negociações com a comissão de rebelados, temia que a tentativa de fuga se torna-se uma rebelião de fato. A massa carcerária tem pouca paciência, dizia ela, alertando que a situação poderia se complicar. Os agentes penitenciários que permaneceram como reféns são: Antonio da Silva, Paulino Domato, José Maria Domato, Valdir Pereira de Jesus, Mauro da Silva, Élcio dos Santos e Osney Carlos Vini. (L.P.)


