A tentativa de homicídio do policial civil Nélson Antônio Bento, 33 anos, foi a mando da própria mulher da vítima, a comerciante Ana Lúcia de Souza Bento, 28. A informação é do superintendente da Delegacia de Alto Maracanã, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, Geraldo Montezuma. A polícia teria desvendado o crime depois de deter o pedreiro Zeni Antônio de Souza, o Toninho, 34, que confessou a autoria do disparo que atingiu a parte frontal da cabeça do policial, numa emboscada. Segundo Toninho, Ana Lúcia teria prometido pagar R$ 5 mil pelo ‘serviço’.
Na polícia, Zeni Antônio apontou a participação de mais duas pessoas na tentativa de assassinato, o farmacêutico Denilson Portes, 36, e o funileiro Sérgio Medeiros, 20. Os três estão presos desde anteontem, na Delegacia do Alto Maracanã. Ana Lúcia também foi presa ontem pela manhã e levada para a 9ª Delegacia de Polícia, no bairro Santa Quitéria, em Curitiba. Toninho é o único com antecedentes criminais. Há 12 anos ele foi preso pelo mesmo crime.
Ana Lúcia se nega a prestar qualquer tipo de informação à polícia e afirma que só falará em juízo. Ainda não se descobriu os motivos que a teriam levado a mandar matar o marido com que tem dois filhos menores, num casamento de 13 anos.
Em seu depoimento, Toninho disse que Ana Lúcia dizia que era maltratada por Bento, mas em alguns momentos se contradizia ao alegar que ele era bom para a família.
O superintendente de Alto Maracanã disse que que se chegou até a ‘‘quadrilha por acaso’’, depois que a polícia abordou Toninho em uma rua do bairro Zumbi dos Palmares, em Colombo, quando era investigada denúncia de assalto nas proximidades. ‘‘Ele saiu do seu carro, um Santana Quantum, e disse ter cometido um homicídio. Em seguida contou todos os detalhes.’’
O estado de saúde de Nélson é considerado grave. Está semiconsciente na UTI do Hospital Cajuru, desde o dia 6 de maio, data do atentado. O policial recebeu o tiro quando abria o portão da sua residência, na Rua Pedro Gorski, 483, após voltar de curso de inglês, às 22 horas.
Segundo a polícia, Ana Lúcia facilitou a tentativa de homicídio, pois deixou a porta da casa aberta, as luzes apagadas e prendeu os cães. Toninho atirou do interior da construção. Os quatro podem ir a júri popular. Se Nélson morrer, responderão por homicídio qualificado e formação de quadrilha. A mandante administrava a mercearia do casal, na Vila Santa Úrsula. Toninho e os co-autores afirmam não ter recebido o valor combinado.

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