Mulher curitibana derruba seus mitos
Mulher curitibana derruba seus mitos
Engana-se quem pensa que a curitibana não liga para sexo - cursos erót icos e sex shops fazem parte de sua motivação
A passividade
do homem pode
ser o motivo
da infelicidade
James Alberti
Albari RosaNa Ponto G, franquia norte-
americana, 80% dos produtos eróticos à venda são levados por mulheres. Elas estão mais ousadas e buscam, constante-
mente, coisas novas, diferentes, diz o especialista Jorge Augusto Carmona Gallego
Há uma espécie de folclore que coloca espinhos na cama das mulheres de Curitiba: quando o assunto é desempenho sexual elas são colocadas abaixo da média nacional. Afirma-se que as curitibanas são excessivamente recatadas, quase frias. A tese, no entanto, não se sustenta se confrontada com os números das lojas que vendem produtos eróticos ou as pesquisas de especialistas da área. Um exemplo são as vendas em sex shops: nada mais nada menos do que 80% dos produtos comercialidos pela Ponto G, uma das maiores da capital, são comprados por mulheres, revela Jorge Belem, proprietário da loja, que é uma franquia norte-americana.
Marcelo AlmeidaA secretária Dulce, natural de Antonina, se prepara para fazer um curso de strip-tease e massagem sensual. Ela diz querer aprender novidades para incrementar o relacionamento com o marido, com quem vive há cinco anosA busca de acessórios que dêem maior prazer e levem ao orgasmo seria um dos efeitos de uma significativa mudança de comportamento. As mulheres estão procurando constantemente coisas novas, diferentes. Ao contrário dos homens, afirma o médico Jorge Augusto Carmona Gallego, especialista em sexologia e em psicologia comportamental pela Universidade Gama Filho (Rio de Janeiro) e Universidade Federal do Paraná, respectivamente. Gallego, que coordena os trabalhos de sexologia para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), no Centro Regional de Especialidades no bairro Portão, dá um banho de água fria no poder de fogo dos machos curitibanos. Os homens estão inertes, parados. Não fazem nada para melhorar.
Para o sexologista, a passividade masculina, que tem relação direta com o nível cultural e de informação sexual, seria a causa da infelicidade de muitas mulheres, que não conseguem chegar ao orgasmo. Grande parte dos problemas está nos homens que não sabem estimular uma mulher, diz ele. Não sabem dar a chance para que ela tenha um orgasmo. Do alto da experiência que tira do seu trabalho, Gallego afirma que em relação ao sexo o homem é como uma garrafa. Só pensa em ficar com o pênis ereto e penetrar. A mulher é uma dançarina... dança em torno da garrafa, quer coisas novas. O terapeuta diz que não passam de boatos as críticas às curitibanas. Só porque o clima daqui é frio, afirmam que as mulheres também são.
A professora de artes sensuais para mulheres casadas Nelma Penteado, que já deu cursos de strip-tease e massagens sensuais para mais de 20 mil brasileiras, também sai em defesa das curitibanas. A mulher curitibana é muito sensual, cabeça aberta, diz ela. Para Nelma, a causa do fracasso de muitos casamentos tem ligação direta com a rotina do sexo e preconceitos frutos da herança cultural. As mulheres de Curitiba são mais recatadas num primeiro momento, mas depois são tão sensuais como as mulheres do restante do Brasil, afirma.
A sexóloga Marilene Vargas, diretora do Núcleo de Sexologia de Curitiba, diz que, para as mulheres que têm dificuldade em conseguir prazer, os cursos são um bom caminho. Além deles, Marilene recomenda exercícios de fortalecimento da musculatura vaginal, para melhorar as condições orgasmáticas. Ela afirma, porém, que os exercícios podem não resolver disfunções de orgasmo sérias, causados, por exemplo, por doenças ginecológicas, tumores cerebrais ou potencinal vaginal baixo.





