Mandaguaçu - A Polícia Civil de Mandaguaçu (16 km de Maringá) prendeu a caminhoneira Neuza Aparecida de Souza Campos, 34 anos, acusada de matar a mãe, a dona de casa Inês de Souza Campos, 53. O corpo de Inês, desaparecida desde o dia 9 de setembro, foi localizado na sexta-feira passada, em um canavial na Estrada Lopes, de Mandaguaçu. Neuza foi presa a partir de um mandado de prisão preventiva concedido pela Justiça e confessou na delegacia todos os detalhes de como matou a própria mãe.
Segundo o delegado Valdir Samparo, a filha alegou que nunca se entendeu com Inês e que, nos últimos tempos, as discussões estavam mais acirradas e ofensivas. As duas moravam juntas em Paraíso do Norte (34 km de Mandaguaçu). Neuza contou que no dia 9 de setembro estava vindo à Maringá junto com a mãe no carro da família, um Pálio branco. Em um trecho do desvio do pedágio de Presidente Castelo Branco, a caminhoneira pediu para que a mãe pegasse uns documentos no porta-luvas quando aproveitou para dar um tiro na nuca de Inês. ''A filha disse que pediu os documentos para que a mãe ficasse em uma posição ideal para o tiro'', disse o delegado.
Depois de atirar, a caminhoneira inclinou o banco da mãe, cobriu o rosto dela com um pano e levou o corpo até um canavial. No local, ela disse ao delegado que arrastou a mãe e que a deixou viva, gemendo de dor. Quando o corpo foi localizado, parte dele estava carbonizado porque o proprietário da área havia colocado fogo no canavial. Samparo disse que só ''Deus sabe'' quanto tempo a mãe permaneceu viva e ferida naquele local.
Neuza relatou ainda que em seguida foi à Maringá, onde jogou a arma - uma pequena pistola calibre 22 - em um bueiro e trocou os pneus do carro. Depois de lavar o veículo, a caminhoneira também foi a uma tapeçaria para trocar o revestimento dos bancos. Segundo o delegado, Neuza trocou os pneus porque temia que o corpo pudesse ser localizado naquele dia e que a polícia verificasse o veículo pelas marcas deixadas na estrada de terra. ''Como havia chovido, ela (Neuza) ficou preocupada com as marcas dos pneus no barro'', afirmou o delegado.
Segundo o delegado, toda a descrição feita por Inês de como o crime foi executado bate com as investigações realizadas pela polícia. O delegado afirmou que a polícia começou a desconfiar da filha depois de dois depoimentos contraditórios sobre o dia do desaparecimento da mãe. Samparo afirmou que nunca viu tanta frieza porque, no dia em que corpo foi localizado, a própria filha fez o reconhecimento.
Neuza é filha única e o pai morreu quando a mãe estava grávida de dois meses. Segundo o delegado, as desconfianças de que Neuza matou Inês por causa da venda de uma propriedade de R$ 60 mil em Paraíso do Norte não procedem porque tanto o imóvel, como o dinheiro, estavam em nome da filha que iria usar o valor para a compra de uma carreta.

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