A índia caingangue Maria Rodrigues, também conhecida na reserva como Eloína Porfíria, 48 anos, mora hoje no distrito de São João do Pinhal, numa casa simples de madeira. Ela vive com as filhas e sobrinhos. Expulsa da reserva no início do ano por não concordar com as lideranças no arrendamento de terras, ela preferiu se aliar aos ex-posseiros.
‘‘Eu tive apoio de políticos da cidade para invadir a gleba. Eles me deram lona e disseram que era para me juntar aos ex-posseiros porque aquela terra não é do governo e quem estiver nela terá direito’’, revelou. Assustada com a retirada da área pela Polícia Federal, denuncia ter havido violência. ‘‘Eles me pegaram com força pelo braço. Os índios que estavam juntos chutaram a comida e não deixaram a gente alimentar as crianças’’, desabafou.
Eloína garante que os ex-posseiros invadiram a Gleba do Cedro por causa dos arrendamentos de terras feitos por João Maria Tapexi, o ex-cacique Lasmo Rael e o ex-chefe do posto, Luiz Alan Vãn-fy Juvêncio. ‘‘A Funai em Londrina sabia de tudo e nunca fez nada’’, denuncia. O adminsitrador regional da Funai, Juventino Domingo Aco, rebate as acusações e garante que trabalhou para acabar com os arrendamentos.
Recentemente Eloína e os outros índios expulsos foram convidados a retornar para a reserva. O cacique Reginaldo Sales Batarse, 27 anos, garante que estas famílias podem voltar para a comunidade, sem problemas. Mas Eloína está bastante arredia. ‘‘A minha filha de 15 anos foi estuprada por um ex-genro que mora na reserva. Ninguém fez nada. Como é que posso voltar a morar lá?’’, questiona.
O cacique Reginaldo Batarse está temeroso com o futuro da reserva. Ele acredita que os ex-posseiros devem retornar em breve para a Gleba do Cedro. ‘‘Eles estão aqui. A polícia não prende porque não quer. Todos os dias os invasores aparecem, seja no distrito, seja no Cedro’’. Nenhum índio está autorizado a ir sozinho para a área de conflito. ‘‘Os posseiros estão escondidos ali. É só aparecer alguém sozinho que eles cercam a gente e começam a nos amedrontar. Se for alguém para lá, vai toda a reserva’’, garante.

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