Mulher assassinada pediu proteção à PM
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sábado, 17 de novembro de 2001
Telma Elorza<br>De Londrina 
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, disse ontem que a polícia não poderia ter evitado o homicídio de Sueli Castorina Vascieki, 32 anos, morta na madrugada de anteontem pelo ex-marido, o policial militar Ademir Galera. Sueli havia registrado vários boletins de ocorrênca na 10 Subdivisão Policial (BPM) de Londrina e prestado queixa contra o ex-marido junto ao comando do batalhão. Galera está foragido e se não se apresentar ao 5º BPM em oito dias será considerado desertor.
Sueli foi morta por volta das 2h30 do feriado, na porta da casa de shows Som Brasil, área central de Londrina, com três tiros no peito. O casal estava separado há cerca de três meses, mas segundo familiares o policial não se conformava com a separação. Ainda conforme familiares, no tempo que estiveram casados, Galera espancava Sueli frequentemente e a ameaçava de morte. O casal tem um filho de um ano. A vítima tinha ainda duas outras filhas, de um relacionamento anterior.
Segundo o tenente-coronel Guimarães, Sueli realmente esteve no batalhão e conversou com o subcomandante, Major Amadei, pedindo proteção. ''Era uma situação complicada porque envolve uma briga de casal. Nós não teríamos condições de destacar um policial para fazer sua proteção'', disse. Segundo ele, o subcomandante teria chamado o policial para conversar e mostrar as consequências, se não mudasse seu comportamento. ''Eu só vou ter certeza disso na segunda-feira, mas acredito que deve ter sido aberto até um procedimento administrativo sobre o caso'', adiantou.
O comandante disse que se Galera aparecer, será encaminhado à Polícia Civil para responder inquérito. Na PM, porém, não será instaurado inquérito policial militar (IPM). ''Ele não estava em serviço, então deverá responder apenas ao inquérito civil. De nossa parte, será apenas afastado da parte operacional, prestando serviços internos no batalhão. Também vamos tentar buscar acompanhamento para ele, porque acredito que uma pessoa que faz isso não deve estar normal'', afirmou. Guimarães disse que um IPM só será aberto se Galera não se apresentar em oito dias. ''Aí ele responderia por crime de deserção, que é crime militar'', apontou.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina, Ivo de Bassi, afirmou ontem que os quatro homicídios ocorridos na quinta-feira foram uma fatalidade. Em sua avaliação, a campanha ''Londrina Segura'' só evitará o aumento de mortes por homicídio, a partir do momento em que as blitze forem intensificadas. ''Com elas poderemos recolher o maior número de armas possível e talvez diminuir o número de homicídios.''


