Mulher apela para ter cirurgia liberada
Mireilli Baroni
De Santo Antônio da Platina
Especial para a Folha
A dona de casa Erquília Aparecida da Rocha, 55 anos, de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho), está fazendo um apelo para que o Ministério da Saúde libere recursos para uma cirurgia de reimplante de um desfibrilador cardioversor implantável aparelho usado em pacientes que sofrem pequenas e constantes paradas cardíacas, decorrentes do mal de Chagas.
Implantado em 1996 pela equipe médica do Instituto Dante Pazzanene de Cardiologia, em São Paulo, o aparelho funciona com uma bateria não recarregável, que está com a carga quase no fim. O custo do implante somando cirurgia e aparelho foi de R$ 60 mil, bancados, na época pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O drama da dona de casa aumentou quando ela recebeu a informação de que o SUS não realizaria o reimplante, cirurgia na qual seria colocado um novo aparelho, fundamental para que ela continue vivendo. Segundo Erquília, a equipe médica garantiu que até o ano 2000 ela poderia ficar tranquila. O ano 2000 chegou e estou sem perspectiva. Não sou só eu, que estou passando por isso, diz a dona de casa, que afirma não ter como pagar uma nova cirurgia.
Erquília foi uma das primeiras pessoas a receber o aparelho, que é importado, no País. Na mesma época, cerca de 50 pessoas receberam gratuitamente o aparelho do fabricante. O equipamento estava sendo testado e foi aprovado. Ele é automaticamente acionado quando as paradas cardíacas relâmpagos acontecem. A cada 60 dias ela retorna a São Paulo para fazer exames. Sou monitorada 24 horas por dia, tudo o que acontece no meu coração, a central tem arquivado, informa.
O implante pôs fim a um longo período de sofrimento, onde a dona de casa fez várias cirurgias no coração e seu mal chegou a ser confundido com problemas no sistema nervoso. Ela sofre com o problema há 20 anos. O diagnóstico correto, porém, foi feito há poucos anos. Seu coração estava atrofiado, o que provocava uma arritmia cardíaca grave. O distúrbio fazia o coração parar por até dois segundos, o que provocava desmaios e quedas.
Raros no início do sintoma, os desmaios se tornaram cada dia mais constantes: de um por ano progrediu para várias vezes ao dia. Acontecia comigo o que acontece quando se desliga um aparelho da tomada e o liga logo em seguida, apagava tudo e de repente voltava, lembra, angustiada.





