Mulher agoniza e morre sem socorro médico
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terça-feira, 27 de novembro de 2007
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Cambé- Maria das Dores Oliveira Sucupira, 59 anos, morreu na manhã de ontem, à espera de socorro médico. Ela foi encontrada agonizando no banco de uma praça que fica entre as ruas José Bonifácio e Belo Horizonte, no Centro de Cambé. Não resistiu às dores e faleceu no local, cerca de uma hora depois da vizinhança ter acionado a emergência.
A dona de casa Maria Aparecida Lucas de Souza foi quem encontrou Maria das Dores ainda com vida. ''Eu estava conversando com meu filho em frente de casa quando vi uma mulher deitada no banco da praça e resolvi ir ver se estava tudo bem. Quando cheguei perto, vi que ela já estava ruim'', contou.
Maria Aparecida e o filho ligaram, então, para os serviços de emergência do município, sem sucesso. A agente de vigilância ambiental Valéria Aparecida dos Santos, que foi a terceira pessoa a encontrar Maria das Dores, comentou que os policiais militares foram os únicos que atenderam prontamente o chamado dos vizinhos.
''Era umas 8h10 quando ela passou mal e deitou no banco. Cinco minutos depois começamos a ligar para a emergência, que só foi chegar uns 40 minutos depois'', relembrou Valéria. Segundo ela, a senhora não falava e apresentava sinais de vômito e pulsação muito forte. ''Quando o Samu chegou ela já estava morta'', lamentou. Para Valéria, Maria das Dores morreu por falta de atendimento.
O Instituto Médico de Legal (IML) de Londrina apurou que a aposentada teve morte natural, provavelmente vítima de infarto. Como não houve morte violenta, segundo o coordenador administrativo do Instituto, Fernando Piccinin, o corpo não foi necropsiado. Ele destacou ainda que a perícia não teria condições de definir se a aposentada teria sido vítima ou não da falta de socorro. ''Uma eventual negligência deverá ser apurada por inquérito policial e também por parte do Conselho Regional de Medicina'', comentou.
O tenente Alessandro Marques, do Corpo de Bombeiros de Cambé, informou que o pedido de socorro foi registrado por volta das 8h45. Como se tratava de um caso clínico, a solicitação foi repassada por rádio para o Samu. O solicitante também foi orientado a ligar para o 192 para reforçar o pedido, já que havia ambulância de plantão em Cambé. Mas quando os socorristas do Samu chegaram ao local já era tarde demais.
O delegado de Cambé, Valdir Abraão, afirmou que os familiares fizeram um primeiro contato com ele e devem retornar após o sepultamento para registrar boletim de ocorrência. ''Temos conhecimento de que o socorro demorou mas não sabemos se essa suposta omissão por parte do Samu teria contribuido para que a morte ocorresse. Mas, como se trata de um serviço público que atende casos graves, o Samu teria que se deslocar prontamente para atender o chamado. Se eles tivessem ido ao local, pelo menos não haveria a dúvida'', avaliou.
Na tarde de ontem, a Folha procurou o coordenador médico do Samu, Carlos Caviglione, mas a informação do órgão é que ele estaria em plantão e não poderia atender a reportagem.
A diretora executiva da Secretaria Municipal da Saúde, Sônia Néri, disse que conversou com Caviglione e ele explicou que o chamado para o Samu foi registrado às 8h52 e a equipe chegou ao local às 9h04. ''O que aconteceu é que primeiro fizeram contato com a PM e os bombeiros'', disse. Ela acrescentou que vai levantar mais informações sobre o caso para decidir qual conduta a Secretaria deverá tomar. (Colaboraram Luciano Augusto e Fernando Rocha Faro)


