Porecatu - A trabalhadora rural Maria das Dores da Silva, 24 anos, presa em Porecatu (85 km ao norte de Londrina), acusada de latrocínio, afirmou ter assassinado cinco filhos recém-nascidos. Ela, que pode estar grávida do oitavo filho, afirmou ao delegado Fátimo de Siqueira que matou dois bebês a partir de 1994, em Matão (SP), onde morou, e outros três em Lupionópolis, sua residência atual. Policiais civis encontraram uma ossada que pode ser de um bebê no quintal da casa de Maria das Dores. Os ossos estão no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina.
Maria das Dores está presa na cadeia em Porecatu, acusada de ter matado a pauladas no início deste mês, em Lupionópolis (105 km ano norte de Londrina), o barbeiro Manoel Hipólito dos Santos, 67 anos, com quem mantinha um caso. Na segunda-feira passada ela chamou o delegado Siqueira e começou a contar sobre os infantídios, porque estava tendo ‘‘pesadelos.’’
Chorando, Maria das Dores relatou à Folha que ficou grávida pela primeira vez em Matão, com 14 anos de idade e teve um menino, R., hoje com dez anos. Na segunda gravidez nasceu uma menina, T., oito anos. As duas crianças hoje moram com a mãe de Maria das Dores, em Lupionópolis.
Em 1994, contou, ficou grávida pela terceira vez e pariu sozinha em casa. Maria das Dores afirmou que não o matou imediatamente. ‘‘Não consegui ficar com ele quando anoiteceu’’. Após matar a criança, ela disse que o bebê foi enterrado em um local onde havia um eucalipto, em Matão.
De acordo com a trabalhadora rural, a quarta gravidez, em 1995, foi uma tentativa de que ‘‘aquilo’’ não acontecesse mais. Nasceu uma menina, que ela confessou ter enforcado e enterrado no quintal da casa. O quinto filho, que ela pariu sozinha, em 1998, em Lupionópolis, teria sido enterrado vivo em um cafezal.
Um ano depois Maria das Dores disse que ficou novamente grávida de uma menina. ‘‘Atirei-a na parede e depois joguei no lixão’’. Na época foi realmente encontrado um cadáver de criança, mas a polícia arquivou o inquérito por falta de pistas. Em 2001, ela teve um menino, que ela afirmou ter asfixiado e enterrado no quintal. Os ossos achados no local pela polícia indicado por ela, se forem humanos, podem ser provas de que os infanticídios foram mesmo cometidos.
Maria das Dores disse que sentia depois do parto uma ‘‘angústia’’ difícil de explicar. Ela deverá fazer exame ainda hoje para comprovar se está grávida novamente.
A mãe da trabalhadora rural, Elenira Ferreira de Souza, que tem um lado do corpo paralisado, afirmou que não percebia as gestações da filha, Ela acha que a filha está ‘‘ com a cabeça confusa’’. Elenira afirmou que várias vezes a filha tentou enforcar a filha de oito anos. Maria das Dores contou ao delegado que teve ainda um outro filho, abandonado em um hospital de Matão.
Conforme o delegado Manoel Pelisson, de Centenário do sul, onde o inquérito foi instaurado, na semana que vem novas buscas pela ossada serão empreendidas.

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