Mulher acusa PMs de execução
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sexta-feira, 04 de abril de 2003
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
A moradora de rua Márcia Cristina Soares, 33 anos, foi até a 10 Subdivisão Policial (SDP) para fazer uma denúncia contra dois policiais militares. Ela acusou os soldados de terem executado a tiros o colega Marcelo de Souza, 26, na última quarta-feira em um mocó da Rua Santa Terezinha (Vila da Fraternidade, zona leste).
Segundo a denúncia, Souza não teria reagido à abordagem policial, como foi falado no dia do crime. ''Os PMs mandaram a gente sair do quarto (estavam em quatro pessoas), mas deixaram o Marcelo lá. Ouvi os tiros e depois disse que não havia balas na arma dele porque elas estavam no meu bolso'', afirmou a moradora de rua. Segunda ela, os projéteis teriam sido entregues aos policiais antes de saírem do mocó.
Souza foi morto com um tiro na testa e outro no tórax. Os peritos do Instituto de Criminalística encontraram três balas na arma da vítima (um revólver calibre 32). Nenhuma delas deflagrada. A morte de Souza revoltou os familiares. Enquanto o corpo era recolhido, Cleiton de Souza (um dos irmãos da vítima) desacatou um soldado, chegou a ser detido e liberado em seguida.
Durante o enterro realizado anteontem, seis tiros foram disparados por um desconhecido contra parentes de Souza. Ana Paula Souza, irmã da vítima, contou que Marcelo era usuário de drogas há mais de dez anos e não tinha emprego.
Márcia tentou registrar uma ocorrência na 10 SDP, mas foi orientada a levar o caso ao 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina. O comandante do 5º BPM, tenente-coronel Rubens Guimarães, informou ontem que um inquérito policial militar (IPM) foi aberto para apurar os fatos. Ele disse ainda que os policiais envolvidos no caso prestaram depoimentos na delegacia e serão ouvidos durante o inquérito, assim como a denunciante. Os nomes dos policiais acusados não foram divulgados pelo Batalhão.


