Mulher acusa abrigo por maltratar doentes
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Lucilia Okamura 
Uma ex-funcionária e uma idosa que viveu em um abrigo localizado na zona sul de Londrina acusam o proprietário do estabelecimento, Giacomo Aldo Bombardi, de maus-tratos aos pacientes. Bombardi teria dado tapas no rosto e deixado os pacientes (que são, na sua maioria, portadores de deficiências mentais ou físicas) sem água à noite, segundo as acusações. Ele nega tudo.
Mario CesarConselho Municipal de Assistência Social vai fiscalizar Casa LarA Casa Lar fica na Rua Oduvaldo Viana, no Parque das Indústrias. A aposentada Joana Borges da Silva, 72 anos, conta que trabalhou como cozinheira na Casa Lar de 14 de julho a 15 de outubro. Um dia vi ele (Giacomo) batendo na cara de uma paciente porque ela chegou na cozinha e colocou o dedo em um prato onde tinha ovos fritos, contou. Ela chegou a chorar..
Mario CesarGiacomo Bombardi: Uma barbaridadeSegundo Joana, esta não foi a única agressão que presenciou. Ele judia muito dos pacientes. Um dia disse para ele que se o paciente é doido, que leve para uma clínica, mas que não era para ficar batendo, relatou Joana, mais conhecida como dona Santa.
Outra que faz acusações contra Bombardi é Francisca Oliveira Lima Jordão, 66 anos, que morou na Casa Lar até o mês passado - atualmente ela está vivendo na casa de dona Santa, no Parque das Indústrias (zona sul). Ela disse que conhece a mulher de Bombarbi, Maria José, há vários anos. Morei dois anos em uma outra casa dela, no Parque Ouro Branco e lá fui bem tratada, relatou. Depois saí, fui morar com parentes e voltei para a Casa Lar faz uns cinco meses.
Segundo Francisca, os problemas começaram quando Bombardi resolveu trabalhar na Casa Lar. Ele é muito bruto e grita com as pessoas, afirmou. Ela acusa Bombardi de querer economizar água ao máximo. À noite ele fecha o registro da água e não deixava a gente dar descarga na patente dos banheiros, relatou.
Francisca disse que tem problemas de úlcera e de cirrose hepática e o médico recomendou que ela evitasse comida com muito sal, pimenta ou gordura. Disseram que era onda minha e que eu não tinha nada, contou. Ela disse que só tinha uma alimentação diferenciada porque dona Santa se dispôs a fazer uma comida separada dos outros pacientes.
Para ficar na Casa Lar, Francisca contou que pagava R$ 180,00 por mês. No mês passado, ela resolveu sair e ir morar com dona Santa. Achei um alívio sair de lá. Gosto mais daqui, contou. Ela está na casa de dona Santa há cerca de 20 dias.


