Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
A comunidade islâmica de todo o mundo festejou ontem o dia do Ei el Fitr que marca o fim do Ramadã, período de 30 dias em que os adeptos à religião fazem jejum total entre às 4h30 e 20h30. Em Londrina, o grupo se reuniu na mesquita Rei Faiçal, localizada no bairro Aeroporto, uma das oito do Estado e 35 do País.
Segundo o sheik Ahmad Mahairi, líder espiritual do norte paranaense, o Ramadã acontece sempre no mês lunar e é um dos cinco pilares da religião de Maomé. É uma tradição de 1.400 anos que relembra a revelação do Alcorão ao profeta Maomé.
De acordo com Emim Issa, fora do horário de jejum os islâmicos podem comer e beber à vontade, com exceção do álcool e carne de porco. As crianças, mulheres grávidas, menstruadas ou em amamentação, doentes e idosos estão liberados do jejum. Para compensar, eles têm que alimentar uma pessoa durante todo esse período.
‘‘Eu começei o jejum um dia antes do previsto para poder comemorar com meus filhos o dia de Natal’’, disse Emim que nasceu no Líbano e há 18 anos vive no Brasil.
A filha do sheik Ahman Mahairi, Fátima Mahairi, disse que segundo a tradição, mesmo as pessoas que participam do Ramadã têm que doar de 2,5 a 3 quilos de alimento para famílias carentes. Isso pode ser feito durante o jejum ou no dia do Ei el Fitr para que outras pessoas também possam comemorar o fim da penitência.
O Ramadã é uma festa esperada com ansiedade pelos islâmicos que durante o ano realizam apenas mais uma grande festa, que é a do Sacrifício. Daqui a dois meses e dez dias eles matam um animal (boi ou carneiro) e doam a carne a famílias carentes.
Conforme o sheik, existem 400 islâmicos na região. No entanto, ontem apenas cerca de 60 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, participaram da confraternização na mesquita Rei Faiçal que terminou com um café da manhã.