Érika Pelegrino
De Londrina
A exigência da apresentação de crachás e documento de identidade para entrar nas galerias da Câmara de Vereadores, ontem, para acompanhar a sessão que aprovou a abertura da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que vai apurar as irregularidades na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) de Londrina e na Autarquia Municipal do Ambiete (AMA), deixou muitas pessoas do lado de fora.
Seguranças na entrada da Câmara apreenderam crachás falsificados, com rasuras e até cópias. Oficialmente cinco foram apreendidos. Muitas pessoas humildes vindas de bairros pobres em ônibus da empresa Radar, afirmaram receber os crachás dentro dos ônibus. Mas a maioria não conseguiu entrar por falta de documento de identidade
Foi o caso de Ema Elegda, 66 anos, dona de casa moradora do Jardim Maracanã, (zona leste). Ela foi até a Câmara no ônibus da Radar que passou no bairro chamando os moradores, assim como a maioria das pessoas – mulheres com bebês e crianças – que estavam do lado de fora.
Jefferson Marques da Silva, proprietário da empresa Radar, de Cambé, disse que ontem a Federação de Assentamentos dos Sem Teto de Londrina e Região alugou seis ônibus e pagou adiantado pela locação – R$ 360,00.
O presidente da associação de moradores do Jardim Marabá, Flávio Gonçalves, foi flagrado pelo fotógrafo da Folha entregando um crachá de identificação para uma garota. Ele impediu que ela desse entrevista. ‘‘Não estou sabendo de nada disso de crachᒒ, afirmou ele depois de mandá-la ‘‘dar uma voltinha’’.
Muitas pessoas que foram até a Câmara disseram que não sabiam o que estava acontecendo. Rosa Calegari Francisco, 29 anos, costureira, moradora do Jardim Maracanã, disse que estava fazendo o almoço ‘‘quando o ônibus passou chamando a gente para vir, mas não explicou o porqu꒒.
Assim como ela, várias pessoas presentes acreditavam que seus bairros receberiam benfeitorias – água, luz, esgoto –, por isso foram à Câmara.
Luciana Alves dos Santos, 19 anos, moradora da Vila Casoni (centro), defendeu a necessidade de haver investigação ‘‘para identificar os responsáveis pela roubalheira’’ e criticou pessoas que acusam o executivo municipal de estar envolvido.
Apesar do grande número de pessoas do lado de fora da Câmara, o clima foi tranquilo quando se iniciou a sessão. Foi cantado o Hino Nacional e o acompanhamento da votação seguiu sem tumulto, com a presença de 15 policiais dentro e fora da Câmara. Representantes da igreja católica, como o padre Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos, disse que preferiu ficar do lado de fora para evitar tumultos. ‘‘Nós preferimos ficar do lado de fora num ato de civismo, cantando o Hino Nacional e orando’’, afirmou o padre. ‘‘Assim não teriam (os vereadores) desculpas para adiar mais uma vez a votação.’’

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