Mário CésarPreocupaçãoÁlvaro Jabur, presidente da Associação Médica de Londrina: ‘Os médicos ficam sujeitos a falhas’O médico londrinense trabalha muito, tem mais de um vínculo empregatício, é casado e conta com o salário da esposa para complementar o orçamento doméstico. Este é o perfil traçado pela pesquisa apresentada ontem pelo presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Álvaro Jabur. O trabalho, feito pela Canadá Pesquisas em dezembro de 96, ouviu 136 profissionais do total de 1.000 cadastrados pela regional de Londrina do Conselho Regional de Medicina.
A ausência de dados sobre os profissionais da saúde no município levou a AML a fazer o levantamento. A pesquisa foi feita por amostragem e revelou ainda que a maior parte dos médicos é do sexo masculino (80%) e que 75% têm entre 35 e 50 anos. Formados pela Universidade Estadual de Londrina (61%), 90% deles têm curso de especialização. Dos entrevistados, 97,5% se dedicam exclusivamente à medicina e 80% realizam mais de três cursos de atualização e formação profissional ao ano.
Um dado revelado pela pesquisa e que preocupa a Associação Médica é o total de horas trabalhadas: 20,5% dos entrevistados disseram que têm uma jornada diária superior a 12 horas e 55,9% entre 9 e 12 horas de trabalho.
O excesso de trabalho para uma atividade complexa e de grande responsabilidade, alerta Álvaro Jabur, representa riscos à saúde do profissional pelo desgaste e pode comprometer os resultados do seu trabalho. ‘‘Os médicos ficam sujeitos a falhas’’, diz Álvaro Jabur.
Outro dado da pesquisa, informa Jabur, indica que em Londrina a medicina não é exercida por profissionais liberais, em sua maioria. Apenas 40% dos profissionais não têm vínculo empregatício, 15% têm de dois a três empregos. Quase 40% dos médicos ouvidos são contratados pela rede pública estadual, 19,9% pela rede municipal e 9,6% por empresas privadas. O grau de satisfação dos médicos com a remuneração é baixa. Apenas 12% disseram que estão satisfeitos, enquanto que 88% responderam negativamente. A maior parte dos entrevistados (90%) é cooperada da Unimed.
A pesquisa mostrou ainda que, dos 13% dos médicos que não se dedicam exclusivamente à medicina, 29,4% atuam no setor da agropecuária, percentual idêntico aos que trabalham também como professores e ao dos que têm outras atividades. Pouco mais de 10% trabalham também no comércio.
Os entrevistados puderam também, com a pesquisa, apresentar pontos que precisam ser atendidos pela Associação Médica de Londrina. Sugeriram uma campanha pela implantação da lista de procedimentos da Associação Médica Brasileira, que estabelece os valores a serem remunerados pelos planos de saúde. O pagamento que vem sendo feito atualmente é o da lista em vigor desde 92. ‘‘Vamos atender a essa reivindicação dos médicos através do departamento de convênios da AML’’, adianta o presidente da entidade.
A entidade também vem estudando mudanças na realização de cursos de atualização, solicitados pelos entrevistados, e de mudanças no congresso médico que ocorre anualmente. Os dados da pesquisa serão apresentados à diretoria da associação e às autoridades municipais de saúde.

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