Muito precioso para ir para o ralo
Londrina A especificidade do grupo de doadoras é a maior dificuldade para encher os estoques dos bancos de leite: mães que amamentam por no máximo dois anos. Deste total, apenas cerca de 25% produzem leite acima do que o filho consome. "Não é como o sangue, que qualquer adulto saudável, com pouquíssimas exceções, é potencial doador", comparou a enfermeira Márcia Benevenuto.
A engenheira eletricista Lilian Favarão, de 35 anos, conta com orgulho que é uma das campeãs de doação para o Banco de Leite de Londrina. Com o filho Benício, de 5 meses, nos braços, ela lembrou que nos primeiros meses chegava a doar cerca de meio litro por dia. "Tinha que retirar o leite em intervalos de três horas, até durante a noite", contou. Um dos freezers da casa ficou exclusivo para acondicionar o leite. Após o terceiro mês, o volume caiu para meio litro por semana.
As mães são aconselhadas a doar até mesmo para se livrarem de dores com os seios inchados, provocados pelo excesso de leite. Segundo informações do Banco de Leite, muitas mulheres admitem que antes de começarem a doar jogavam o leite fora. "Às vezes, a simples orientação resolve. O leite materno é muito precioso para ir pelo ralo, pois combate a desnutrição, doenças e mortalidade infantil", ressaltou Márcia.
Lilian contou que todo o trabalho de ferver recipiente, colocar máscara e luvas é recompensado ao saber que o leite vai ajudar a salvar vidas de crianças internadas nas UTIs. "Acho que muitas mulheres ainda não doam por falta de informação, não por maldade. Não tem como não se sentir feliz sabendo que estamos praticando o bem", ressaltou Lilian.
As mães interessadas em doar o leite humano devem entrar em contato pelo telefone com as unidades mais próximas. O BLH providencia os frascos para recolher o leite excedente, faz as orientações sobre os procedimentos e passa para recolher as doações uma vez por semana. (C.F.)





