Muito mais que animais de estimação
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quinta-feira, 29 de abril de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Eles não têm patentes nem usam farda mas sua rotina de trabalho é tão exaustiva quanto dos policiais militares que os acompanham e, em alguns casos, são eles, os cachorros, que fazem todo o serviço. É o caso da mais nova integrante do grupo de operações anti-droga da Polícia Militar (PM). Em pouco mais de duas semanas de função, Akira, uma brincalhona cadela labrador, já fez duas grandes apreensões de entorpecentes.
Com dois anos e meio, a cadela começou a ser treinada ainda filhote pelos policiais do canil do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Segundo o sargento Adolfo de Lima, o treinamento de cães farejadores é o mais longo e requer um animal com perfil exato. ''A polícia tem utilizado labradores a Akira veio filhote do canil central de Curitiba , pastores e cockers'', afirma. As raças, explica ele, são de animais de bom faro.
O treinamento é realizado dentro do quartel, com o cão sendo estimulado a encontrar pequenas quantidades de entorpecentes escondidas e recompensados em seguida. ''Nossa técnica é o carinho'', simplifica o sargento. Talvez por isso, a afabilidade da cachorra já fez com que esta acumulasse outra função: a de relações públicas. Nas visitas de crianças ao batalhão, ela é mestra na brincadeira de esconde-esconde.
A eficiência do trabalho de Akira chamou atenção do comando da PM. Atualmente dois novos animais iniciaram treinamento para acompanhar Akira, outro labrador e um cocker. ''Animais maiores têm mais dificuldade de acesso em determinados locais, um animal pequeno como o cocker é mais ágil e tem facilidade de locomoção'', explica.
Mais que a raça, os animais do canil precisam ter temperamento certo para cada função. Os sete pastores alemães, belgas e rotwaillers que dividem o canil com Akira têm um trabalho em que o bom temperamento não é necessariamente tão importante nem desejável.
Eles fazem parte da divisão de policiamento ostensivo e ataque. ''As pessoas pensam que só porque é um rotwailler ele é agressivo, isso não é verdade, já pegamos animais dessa raça e eles se demonstraram dóceis demais para o trabalho'', afirma.
Treinados para defender, perseguir e atacar sob as ordens do policial, os cães são usados pela Rone e Tropa de Choque além de fazer policiamento em parques, festas e jogos de futebol. Em um jogo, diz o sargento, um único cachorro faz o trabalho de 12 policiais, basta mostrar-lhe a linha de isolamento que ele faz o resto.
Tranquilo, o rotwailler Sansão transfigura-se em dentes e latidos fortes a uma simples ordem do policial. ''O cão é um equipamento, é como uma arma, mesmo sem atacar só a pressão psicológica da sua presença já é inibidora'', afirma.
Temperamento certo também é requisito para os treinadores que, via de regra, acabam extrapolando turnos para cuidar dos animais e atuar nas operações, já que os cachorros só obedecem uma voz de comando. Por isso, só voluntários trabalham com os cachorros.
Com 20 anos de canil, o sargento Lima já viu passar muitos animais e não satisfeito com os do quartel tem mais quatro em casa. ''Desde que entrei na companhia estou aqui e não reclamo, mas tem que gostar.''
Criado em 1976, um ano antes do Batalhão, o canil tem capacidade para 12 cães mas abriga hoje apenas oito. Segundo o sargento, o canil está em fase de requisição de novos internos. Muitos animais se aposentaram nos últimos meses. É lei da PM que com dez anos de serviços prestados, os cães sejam retirados de suas funções.
Se não forem adotados, eles continuam a morar no quartel. O sargento frisa, entretanto, que a doação só é permitida se a nova casa for compatível e os doadores tiverem condições financeiras de sustentar o cachorro.


