Muito além do sabor
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
Silvana Leão<BR>Reportagem Local 
Comida boa precisa agradar ao paladar e também aos olhos. Em um misto de curiosidade e surpresa, um grupo de adolescentes descobriu, na tarde de ontem, que alimentos comuns à mesa dos brasileiros, como cenoura, rabanete e nabo, têm bem mais a oferecer que sabor e nutrição. Bem manipulados, são matérias-primas preciosas para enfeites de encher os olhos e estimular o paladar.
Os garotos e garotas de comunidades carentes de Londrina participaram de um workshop de decoração de alimentos e redescobriram o potencial do que antes não rendia mais que uma simples salada. O grupo faz parte do Projeto Chef Mirim, desenvolvido há cinco anos pela Apetit Serviços de Alimentação em parceria com a Guarda Mirim. A iniciativa é reconhecida pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente como alternativa de qualificação para jovens aprendizes e tem sido garantia de entrada no mercado de trabalho.
Durante os seis meses do curso os jovens recebem formação técnica, social e intelectual. Além do estudo voltado aos alimentos (conceito, noções de microbiologia, doenças que podem ser transmitidas, boas práticas em manipulação, planejamento de cardápios, custo alimentar e decoração de pratos), os chefes mirins aprendem noções básicas de administração, cidadania, relações trabalhistas, empreendedorismo, relacionamento interpessoal, liderança, planejamento, qualidade e informática. ''Eles saem capacitados para todos os segmentos da área de alimentação. Tanto que todos, até hoje, foram empregados'', comemora a diretora geral da Apetit, Márcia Manfrin, que já pensa em dobrar o número de turmas do projeto.
Encantados com a destreza do chef Valdeir Correia de Oliveira, os adolescentes não escondiam a surpresa diante das flores que aos poucos surgiam. ''Que lindo que ficou!'', exclamou Leidiane Cândida Ultramar, de 15 anos, diante do colorido enfeite elaborado com legumes. Ela contou que cozinha em casa desde os 9 anos, mas nunca conseguiu enfeitar seus pratos. ''Sempre ficava esqusito'', confessou. Agora, acredita, vai conseguir deixar a mesa da família mais atrativa e mais alegre.
Segundo o chef Valdeir, a intenção foi mesmo essa. ''A ideia é mostrar que ingredientes simples podem se transformar em alimentação sofisiticada. Expliquei a eles a importância das cores, que antes de mais nada, os pratos devem ser atrativos.''
Para a hoje auxiliar de Recursos Humanos Elisângela Cardoso, de 22 anos, o Projeto Chef Mirim foi um divisor de águas. Aos 17 anos, ela queria trabalhar para ajudar a família, mas não tinha qualificação e nem sabia o que queria fazer. Depois de uma semana do término do curso de Auxiliar em Serviços de Alimentação, foi chamada para trabalhar no setor administrativo da empresa. Se deu tão bem que hoje faz seleção de futuros funcionários, está no segundo ano do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e já sonha com a pós-graduação. ''Quanto mais aprendo, mais quero aprender'', diz a jovem, que a única de sua família a conseguir ir além dos primeiros anos do ensino médio.


