Amamentar um bebê vai muito além do ato biológico. A situação emocional da mãe, o apoio que tem do parceiro e da família, a expectativa que ela tem da maternidade influenciam no modo como esse momento entre mãe e filho vai se desenrolar.
Para ajudar que tudo corra bem, profissionais de saúde em Londrina se uniram para criar o grupo de trabalho Deleite. Participam as enfermeiras Lylian Dalete Soares de Araújo, Kátia Mara Kreling Vezozzo, Ana Marcondes Dornellas, Lilian Mara Consolin Poli de Castro e a fonoaudióloga Valentina Simioni Rodrigues.
As profissionais já têm vasta experiência na área por participarem do Calma (Comitê de Aleitamento Materno de Londrina), que serviu de base para a criação da Rede Amamenta Brasil, do Ministério da Saúde.
''Iremos atuar ministrando cursos mais específicos, com cargas horárias diferenciadas, montados conforme a necessidade de quem nos contratar. A nossa metodologia foge das propostas tradicionais. Queremos construir um olhar de compreender a amamentação para além da questão biológica e técnica, considerando a mulher que amamenta como protagonista, levar em consideração a família onde ela vive, as condições que ela tem'', explica Valentina.
De acordo com Lylian Dalete, a maioria dos profissionais de saúde ainda não é formada com esse olhar. ''Já aplicamos essa metodologia através do Calma, mas iremos promover cursos direcionados, inclusive para grupos de mães, de babás ou até envolvendo toda a família.''
O grupo também irá atuar através de um site - www.deleiteam.com.br -, em que tanto profissionais como as mães podem tirar dúvidas e se informar sobre a forma diferenciada de ver a amamentação.
Acolhimento
A enfermeira Madalena Crivari, coordenadora da Unidade da Família San Isidro, do Jardim Monte Carlo (Zona Sul) já passou por treinamentos com a equipe do Deleite e hoje é tutora de aleitamento materno na UBS onde trabalha, capacitando os funcionários no próprio local de trabalho.
De acordo com ela, a metodologia proporciona maior segurança aos profissionais que lidam com as mães, porque estes aprendem a acolher mães e filhos. ''Orientamos a mãe a amamentar sem dor, sem sofrimento, o que a torna mais feliz e o bebê mais saudável'', justifica.
Madalena explica que os funcionários, tanto médicos, nutricionista e farmacêutico como técnico administrativo e serviços gerais passaram pela capacitação em dezembro do ano passado e os resultados já estão sendo percebidos.
''Percebemos que a maior parte das mães que são atendidas sai da UBS amamentando. No atendimento mensal ao bebê verificamos que eles têm mantido peso o adequado e reagido melhor a doenças como a gripe. Eles não precisam ser hospitalizados por causa de complicações e não deixam de mamar'', comemora.
Gêmeas
A jovem Jenifer da Silva Gomes, de 18 anos, é mãe de primeira viagem e em dose dupla. Mãe de meninas de dois meses de idade, ela aprendeu no atendimento no posto do Jardim Monte Carlo a amamentar as duas, ao mesmo tempo. ''Quando fiquei sabendo que iria ter gêmeas fiquei preocupada se conseguiria amamentá-las, se iria ter leite suficiente e todas aquelas dúvidas que as mães têm'', conta.
Segundo ela, Emilly e Evellyn nasceram prematuras, aos oito meses, mas não precisaram ficar em incubadora e logo após o parto já puderam mamar o colostro. O leite tem sido mais do que suficiente e Jenifer inclusive já doou para outros bebês.
Com o crescimento das meninas a missão de amamentar ao mesmo tempo está começando a ficar mais difícil, mas a jovem mãe não desanima. ''Elas estão ficando mais pesadas, estão com 4,5 kg e já preciso colocar uma almofada embaixo do braço para ajudar a apoiar, mas quero continuar a amamentá-las enquanto tiver leite, sei que isso é muito importante para a imunidade delas'', relata, mostrando que aprendeu bem a lição.

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