Londrina - Já imaginou quantas vezes um livro de biblioteca pode ser lido? Ou então, qual é o tempo médio que as pessoas dedicam à leitura nesses espaços? São questões curiosas como essas que o Observatório do Livro e da Leitura traz na Pesquisa "Bibliotecas e Leitura Digital no Brasil", realizada em março deste ano.
O trabalho teve como amostra 503 entrevistas pela internet em todas as unidades da federação, por meio de bibliotecários, dirigentes e responsáveis por bibliotecas. O objetivo é apontar o perfil dessas instituições, dos usuários e também dos acervos, em todo o território nacional.
De acordo com o estudo, em todo o país existem seis mil Bibliotecas Públicas Municipais (BPM) e 75 mil unidades escolares (incluindo salas que são utilizadas como depósitos de livros). O Paraná surge na pesquisa com 26 bibliotecas participantes, representando uma fatia de 5,19%.
O estudo também mostra que a média geral de frequência nas BPMs é de 420 pessoas por mês. Desse número, menos de um terço (153,8) lê livros dentro da biblioteca, enquanto 240 preferem levá-los para casa.
A diretora da Biblioteca Pública Municipal Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, de Londrina, Rosângela Maria Rocha de Mello vem observando uma mudança no comportamento dos usuários ao longo de uma década. Ela comenta que há cerca de 15 anos a frequência diária era de aproximadamente 1,5 mil pessoas. Hoje, esse número caiu para 400.
Mais que uma oportunidade de ampliar e atualizar o conhecimento ou "mergulhar" entre os clássicos da literatura, Rosângela percebe que boa parte das pessoas vê a biblioteca hoje como um local de serviços. Enquanto alguns usufruem do acesso à internet gratuita no computador, outros buscam os classificados nos jornais impressos e o mural com vagas de emprego.
"Antigamente, a biblioteca pública era tida como uma extensão das escolas, seja para pesquisa ou empréstimo. Hoje, o foco é outro. As pessoas vêm muito mais para utilizar os computadores, participar de um evento, pesquisar especificamente arquivos ou verificar as opções de emprego", diz.
Como é o caso de Camila Evelin Nunes, de 25 anos. A estudante frequenta a biblioteca duas vezes por semana, por uma hora. Além da leitura dos periódicos, aproveita para checar as vagas de emprego. "Como não tenho assinatura para receber jornais e revistas em casa, venho ler na biblioteca. É um ambiente que gosto e me dá muitas opções", diz.

Conectados
Para conhecer um pouco mais sobre a demanda e sua características, a direção da BPM de Londrina realizou uma pesquisa entre janeiro e abril de 2013, com 240 pessoas. De acordo com a diretora, os resultados comprovaram a mudança apontada acima. "A maioria (60%) dos frequentadores é do sexo masculino, entre 20 e 50 anos, com ensino superior", afirma.
Entre os campeões de leitura, estão no topo os periódicos (jornais e revistas), com ênfase nos veículos locais. Em seguida, está a procura pelo serviço do programa Telecentro Comunitário (computadores).
"De janeiro a abril deste ano registramos três mil pessoas que utilizaram os computadores em nosso espaço", acrescenta Rosângela, contabilizando cinco computadores para acesso à internet e 10 do Telecentro. "A maior parte utiliza para cadastro em vagas de emprego."
Toda essa transformação é atribuída, segundo Rosângela, à presença das bibliotecas escolares, comunitárias, universitárias e à internet, que possibilita pesquisas em todas as plataformas tecnológicas. Os resultados do estudo nacional mostram, inclusive, que 82,2% das bibliotecas públicas no país possuem computadores conectados à internet.
"Não tenho computador em casa e por isso, venho todos os dias na biblioteca usar a internet. Faço pesquisas sobre meu esporte, eventos e mantenho contatos virtuais. É muito bom", conta o maratonista Jurandir Pereira do Carmo, de 59 anos.

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