Rolândia - Alunos desinteressados nos estudos muitas vezes são influenciados por lideranças negativas e acabam sendo atraídos para a baderna e, em muitos casos, partem para o tráfico de drogas e roubos, entre outros delitos. Para conscientizar os alunos sobre esses riscos, o professor Paulo Sérgio Gomes organizou uma série de palestras para os mil alunos do Colégio Estadual Presidente Kennedy, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). O próprio professor e outros três convidados contaram como superaram as dificuldades impostas pela vida.
O auditório do Centro Cultural Mathilde Hoster "Nanuk" ficou repleto de alunos durante o evento, realizado na semana passada. Entre eles estava uma adolescente de 14 anos que teve de mudar de colégio porque recebia ofertas de drogas de pessoas próximas. "Eles me diziam para experimentar porque era legal, era bom", relatou a garota. Ela ficou fascinada ao ouvir o relato dos palestrantes e suas experiências de vida.
O primeiro dos relatos foi feito por seu próprio professor. Quem vê Gomes hoje, com graduação em Educação Física e Educação Especial e uma pós-graduação em Ergonomia e ginástica laboral, nem imagina que morou na rua, pediu esmola, catou lixo e, mesmo assim, nunca desistiu do sonho de estudar. Chegou a trabalhar como arrumador de pinos de bolão e depois atuou como boleiro nas quadras de tênis. "Foi quando uma pessoa viu que eu tinha potencial e me incentivou a estudar. Eu estava 10 anos afastado da escola e resolvi voltar."
A falta de recursos não impediu que Gomes seguisse adiante com seu sonho de conquistar uma vaga na faculdade. "Eu pedia para um amigo me ensinar. Ele usava o asfalto como quadro negro e uma pedra no lugar do giz para explicar as matérias", relembrou. Mas o ambiente em que vivia era hostil. Ele revelou que dos 20 amigos que ele possuía na adolescência, 18 morreram por terem se envolvido com a criminalidade.
Um dos amigos "sobreviventes" de Gomes foi o segundo palestrante, o policial Civil Kenedy de Brito. Ele contou que o tráfico sempre dominou a região em que morava. "Isso transformava o local em um reduto de marginais que nos deixava refém dessa situação", destacou. Durante a sua palestra, ele falou sobre o (ECA) Estatuto da Criança e do Adolescente, e enfatizou as razões para não usar e não vender drogas.
A cada explanação sobre determinado tipo de droga, arrancava do público expressões de incredulidade e espanto. "Esse é um trabalho que a Polícia Civil faz para contribuir com a sociedade junto com o pessoal da Educação. Essa palestra leva aos alunos informações técnicas sobre os prejuízos à saúde que as drogas podem provocar na vida das pessoas. É uma oportunidade ímpar de contribuir com a sociedade", afirmou o policial.

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