Muita adrenalina, poucos riscos
Fora das grandes empresas de aviação, a paixão pelos céus também oferece oportunidades de trabalho aos aficcionados por aviões. É o caso do piloto Jorge Bueno, de Campinas (SP), que ganha a vida ''lançando'' paraquedistas no ar. Funcionário de uma empresa de táxi aéreo, ele vem a Londrina duas vezes por mês para proporcionar aos paraquedistas a oportunidade de saltar.
Desde 1991 na atividade, Bueno conta que é preciso conhecer o equipamento e a trajetória a ser percorrida pelos paraquedistas para não correr o risco de lançá-los em locais inadequados. ''O mais complicado é manter a velocidade sem oscilação'', acredita ele, que já fez 8,7 mil lançamentos apenas do avião modelo Caravan que pilota.
Conhecido por realizar manobras radicais, como os ousados mergulhos com o avião para acompanhar os paraquedistas na queda livre e os voos rasantes que costumam agradar os espectadores dos saltos, ele garante que atenta para manter a segurança dos passageiros a qualquer custo. ''Se o vento está forte, não deixo ninguém saltar'', diz.
Íntimo do universo do paraquedismo, Bueno, entretanto, nunca arriscou a ocupar o outro lado da atividade, declinando de todos os convites que já recebeu para saltar. ''Não tenho vontade'', resume.
Marcelo Montezuma é um comerciante que também encontrou mais que um hobby na aviação. ''Comecei a voar há quatro anos por lazer e acabei ficando sócio de uma escola de voo. Também atuo como instrutor'', conta. Segundo ele, a maioria dos alunos têm entre 40 e 50 anos, já estão estabelecidos profissionalmente e quase sempre acabam o curso com avião próprio.
Rolemberg Vidotti é outro piloto que utiliza as manobras radicais profissionalmente. Comandante de aviões agrícolas, ele costuma fazer os chamados balões para virar a aeronave e conseguir cobrir toda a área de lavouras que precisa ser pulverizada. ''É radical, mas não é arriscado'', diz ele, que recorre ao GPS para orientar o trajeto mais adequado à cobertura das plantações.
O piloto e construtor de aviões Leandro Aparecido Mendes começou a desenvovlver as habilidades construtivas com o aeromodelismo e hoje dedica-se a montar aviões para aqueles que o contratam. Praticante de trike (asa-delta com carrinho), ele já construiu várias máquinas voadoras e também exerce o ofício de instrutor de voo. ''A aviação começou como hobby e virou profissão.''(C.A.)





