O início do segundo semestre é uma das épocas do ano que se registram mais casos de transferência escolar, motivada principalmente pela mudança dos pais de cidade ou bairro. Segundo a Secretaria de Educação de Londrina, no início do segundo bimestre 395 alunos foram transferidos de outras escolas. Porém, a expectativa é de que esses números sejam maiores neste início de segundo semestre, como afirma a gerente de Documentação Escolar da secretaria, Maria Judith Bompagnini Cardozo. ''Existe muito trânsito de alunos de outros municípios nesta época do ano'', reafirma.
Maria Judith conta que todas as crianças transferidas recebem atendimento da secretaria e, se precisarem de reforço, o contraturno pode ser utilizado para isso com todo o apoio dos professores. Segundo ela, uma das instituições que mais tem recebido alunos de fora é a Escola Municipal Carlos Dietz.
O aluno João Vitório Silva Manhani, 9 anos, estuda na Carlos Dietz e conta que esta é a terceira vez que é transferido. Ele diz que há três anos foi estudar em Chapecó (SC) e agora retornou a Londrina. ''Ir a Chapecó foi difícil porque achava a escola desorganizada, pois misturava alunos mais velhos com mais novos'', conta.
O choque em Santa Catarina fez com que ele mudasse de uma escola pública para uma particular, onde a adaptação foi mais tranquila. Seu pai, José Sérgio Manhani, conta que o problema em Chapecó foi a adaptação a uma nova cultura. ''Boa parte das pessoas que moram lá é descendente de gaúchos e eles possuem costumes diferentes dos nossos'', explica, ao lado da mãe Rosângela.
Os gêmeos Lucas e Mateus da Silva de Araújo, 9 anos, são de Apucarana (Norte) e se mudaram para Londrina recentemente. Eles também foram transferidos para a Carlos Dietz e a primeira impressão que eles tiveram foi de que a escola proporciona um ambiente bom. ''Gostei porque tem futebol às terças e quintas'', conta Lucas.
O que assusta é o relato de Lucas de que foi ameaçado por um de seus colegas assim que chegou a Londrina. ''Esse garoto falou que gente de fora tinha que apanhar'', conta. Seu pai, Mauro Sérgio de Araújo, explica que pediu ao filho que relatasse o fato se acontecesse de novo e denunciasse à professora. Já o seu irmão Mateus não passou por nenhum problema semelhante. ''Para mim foi tranquilo.''
Sobre a diferença no conteúdo ministrado, os dois relatam que estão sentindo um pouco de diferença, pois algumas das lições já tinham sido ensinadas na escola em Apucarana.
Isabela Fernandes Alves, 9 anos, sentiu um pouco a diferença entre a escola de Curitiba, onde estudava e a londrinense. ''Aqui é um pouco mais adiantado'', relata. Sua mãe Lucilena Regina Fernandes conta que antes de se mudar para Londrina conversou com a menina para explicar a situação. ''Ela ficou preocupada com o uniforme e os livros didáticos que seriam diferentes, mas explicamos que ela receberia outros'', conta. Lucilena diz que sua filha foi bem acolhida pela escola e que Isabela, por ser bem sociável, já tem feito novas amizades.

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