Mudanças no PAI preocupam mães
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
A proposta da prefeitura de ampliar a área construída do Pronto Atendimento Infantil (PAI) para abrigar o serviço que é realizado na Unidade de Saúde José Belinati está dividindo a opinião dos londrinenses. Mães que aguardavam atendimento no PAI, na última segunda-feira, têm avaliações diferentes sobre a idéia de instalar o Pronto Atendimento Adulto no mesmo complexo. Fátima Maranho disse que ''vai ser bom porque é mais um atendimento''. Já Suely Bortoto, mãe de três filhos, afirma que ''poderia ampliar o PAI mas para atender mais crianças. O atendimento é bom só que as vezes vejo mães reclamando que esperam duas, três horas pela consulta''.
O diretor do departamento de pediatria da Associação Médica de Londrina e vice-presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria, Milton Macedo, afirmou que vê com bons olhos a ampliação do Pronto Atendimento Infantil. ''Encaramos que se deva prestar o melhor atendimento possível à população. Compartilhar o serviço de raio-x e laboratório não prejudica em nada o atendimento'', declarou.
Mas Macedo fez uma observação quanto ao serviço de saúde prestado em Londrina. Segundo ele, ''é preciso profissionais adequados para atender os pacientes. Pediatras não podem atender adultos, nem clínicos atenderem crianças, como acontece hoje no Programa Saúde da Família (PSF)''.
O médico responsável pelo pronto-socorro do Hospital Universitário, Antônio César Marçon, também acredita que a ampliação não vai prejudicar o atendimento, apesar de não saber ao certo como vai ser feito isso. ''Na maioria dos locais o atendimento é feito no mesmo local. No caso de infecção, basta ter os cuidados de rotina que não tem problema algum''. O que ele defende é que o atendimento precisa ser feito em locais separados, destinados para cada especialidade, adulto de um lado e crianças de outro. ''É até mais uma opção de atendimento para adulto em Londrina'', concluiu.
No PAI será construída uma nova ala, no terraço em cima do laboratório, onde irá funcionar o Pronto Atendimento Adulto. A nova ala terá 827 metros quadrados que, somados à estrutura já existente, somará cerca de 3,5 mil metros quadrados. A obra visa também ampliar a área de estacionamento de 23 para 51 vagas. As ambulâncias terão vaga coberta.
O médico responsável pelo PAI, Mohamed El Kadri, garantiu que não vai haver nenhuma alteração no atendimento das crianças nem mistura no atendimento. ''A entrada dos adultos será diferente da entrada das crianças. Uma parte não tem comunicação com a outra, serão dois blocos diferentes'', apontou. Profissionais, direção e recepção também serão separados. Os únicos serviços que serão compartilhados são o laboratório e o raio-X (que já atendem os pacientes do José Belinati), mais refeitório, lavanderia e sala de esterelização de materiais.
Quanto ao atendimento do Programa Saúde da Família, o secretário de Saúde do município, Silvio Fernandes, afirmou que é uma filosofia do PSF que os médicos sejam capacitados para atender todos os casos. ''Os médicos são generalistas e assumem a responsabilidade de atender a todos. Quando eles não têm formação, fazem um curso de especialização em Medicina de Família e Comunidade. Todos os 15 mil médicos que atuam no programa no Brasil são assim'', explicou.


