Mudanças necessárias
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quinta-feira, 09 de março de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Os quiosques voltaram ao Calçadão de Londrina há um mês, mas ainda precisam de ajustes para ficarem de acordo com o projeto original do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). São questões que envolvem a segurança e o conforto dos usuários e dos funcionários, a facilidade para realizar a manutenção e a estética.
O motorista Rodrigo Lima elogiou o retorno dos quiosques e diz que eles estão bem feitos, no entanto critica o visual. "Deveria ter uma estética mais elaborada, por ser no Calçadão. Do jeito que está ela fica apagada. Parece um galpão."
Já a vendedora Renata Miyamura, que trabalha nas imediações, diz que os quiosques deram mais movimento ao Calçadão. Observa, porém, que deveria haver um cuidado maior com relação à segurança, porque já presenciou uma pessoa que quase caiu da calçada de acesso. "A rampa é meio perigosa; se tivesse uma cerca de ferro seria melhor", declarou.
A calçada de acesso, que deveria ter um desnível de no máximo 15 cm, foi construída com desnível de até 34 cm. "Existem recomendações da norma de acessibilidade. As sugestões para não haver demolição é que se instale uma mureta e vasos com flores como obstáculo. O piso previsto no projeto era de um cimentado com seixos, ficava antiderrapante e dava acabamento melhor. O que foi executado foi um piso cimentado simples", apontou a arquiteta Caroline Nascimento Benek.
A profissional está no Ippul desde a concepção do projeto, em 2015, relata que inicialmente a estrutura seria em aço inoxidável, mas foi modificada para aço galvanizado pintado, caso contrário o valor ficaria muito acima do que foi estabelecido no edital. Outras modificações, no entanto, afirma a arquiteta, foram realizadas por iniciativa dos concessionários. "Foi dada flexibilidade para adaptar para diferentes usos, mas do jeito que eles realizaram tirou a permeabilidade visual. Deveríamos ter deixado menos opções para que os quiosques ficassem mais abertos visualmente de dentro para fora e de fora para dentro. Para o próximo quiosque vamos fazer essas modificações", declarou.
Caroline foi uma das arquitetas que elaboraram o relatório de fiscalização, que apontou oito pontos a serem aprimorados e que fugiram do memorial descritivo que constava no edital de licitação.
Os filhos da proprietária da Floricultura Violin afirmam que a maior parte das modificações é fácil de executar. "Na realidade, a gente melhorou o projeto que veio do Ippul", declara Guilherme Violin. Seu irmão Mateus destaca que houve o pedido de ampliação do prazo para 60 dias para realizar as modificações solicitadas.
A proprietária do quiosque de café, Quedima Oliveira Carvalho, também solicita um prazo maior para realizar todas as modificações. "O guarda corpo será colocado esta semana. Para a elevação da calçada e a drenagem precisamos desse prazo maior", declarou. Sobre o pedido de plotagem para trocar a cor do quiosque ela diz que a lei Cidade Limpa não autoriza os adesivos na fachada. "A gente veio de uma inauguração e não fugiu do projeto. A única alteração foi feita para guardar a caixa dágua, senão ficaria fora", destacou.
O prazo para que os responsáveis pelos quiosques fizessem as modificações venceu no dia 7 de março, mas eles pediram ampliação do prazo. O analista técnico da CMTU, Gilmar Domingues, participaria de uma reunião nesta quinta à tarde para decidir qual a extensão de prazo que poderia ser concedida. Destacou, porém, que algumas obras são emergenciais. "Em relação ao quiosque de café o prazo para instalação de um guarda corpo em um dos degraus de acesso vence dia 12; já na floricultura a questão foi de um banheiro que não estava no projeto que precisa ser adequado até o dia 17. Caso não cumpram, os proprietários estão sujeitos a multas", afirmou.

Necessidade de conforto térmico e acústico
O memorial descritivo dos quiosques que foram instalados no Calçadão de Londrina pedia telha zipada, com isolamento termo-acústico e com a face inferior lisa na cor branca, mas os concessionários acabaram utilizando uma telha metálica de alumínio sem pintura. O diretor de projetos do Ippul, José Antônio Bahls, relata que a orientação para utilizar a telha zipada tinha o objetivo de não esquentar tanto os quiosques. "É uma telha com isolamento térmico e acústico que protege o quiosque do sol e do barulho."
Outro elemento que deveria contribuir para esse isolamento é o forro, que segundo o edital de licitação deveria ser um painel do tipo wall, com miolo em painel de tiras de madeira Orientadas, revestido com placa cimentícia com pintura branca. "O que foi executado foi um forro de gesso normal", aponta. A caixa dágua, prevista para ficar na parte externa, acabou sendo implantada entre o forro e o telhado, o que dificulta a fiscalização, a manutenção e a limpeza.
A drenagem de água pluvial também não foi realizada adequadamente. Bahls destaca que existe a captação da água da chuva por calhas, mas não foi executada a drenagem no piso do entorno do quiosque até a rede pluvial. "Isso ocasiona acúmulo de água e forma grandes poças. Além disso essa água acaba gerando infiltrações na própria estrutura", destacou.
Na floricultura também foi implantado um sanitário que não consta no projeto. "Ali possui um giro de apenas 1,15 m², quando o mínimo necessário é um círculo de 1,5 m². Se for de uso privativo, não tem problema, mas ali também não tem lavatório e isso eles precisam se adequar."
Flexibilidade demais prejudicou estética
Os painéis de fechamento dos quiosques instalados no Calçadão foram feitos de acordo com o estabelecido no memorial descritivo elaborado pelo Ippul, porém foram deixadas várias opções para diferentes usos e essa flexibilização excessiva acabou prejudicando a aparência. A sugestão é que os módulos fossem mais abertos, no entanto os concessionários usaram módulos fechados.
A arquiteta Caroline Benek, do Ippul, afirma que isso não estava especificado no edital, mas deveria ter passado pela aprovação pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina. "Era mais uma sugestão. O acabamento foi diferente do recomendado", declarou. Segundo o diretor de projetos do Ippul, José Antônio Bahls, a composição modular foi feita para tornar fácil o reposicionamento ou a mudança. "Se o quiosque sofrer uma pancada, a placa estragada pode ser facilmente substituída. No entanto, esses painéis possuem algumas frestas que terão que ser fechadas para evitar infiltração e o aparecimento de ferrugem", explicou. A solda elétrica utilizada acabou deformando a placa e gerando um efeito visual ruim. "Pedimos fechamento com silicone e para realizar uma plotagem, que além de proteger, gera um visual mais agradável", afirma Bahls.
Ele ressalta que o projeto original previa três faces abertas e apenas uma parcialmente fechada, para permitir a permeabilidade visual. "A falta de permeabilidade visual foi um dos grandes problemas estéticos. A recomendação era de que se implantassem vidros fixos com chapa perfurada ou mesmo o vidro sem a chapa perfurada, para ter a função de função de vitrine. A recomendação também era de que as portas de correr fossem de vidro. Isso protegeria o quiosque da chuva e permitiria permeabilidade visual", destacou. A chapa perfurada era um recurso para impedir a ação de vândalos.


