A sala cheia de brinquedos, cuidadosamente decorada, só denuncia o envolvimento com questões de Justiça pela localização Instalado na 6º Vara Criminal de Londrina, conhecida como Vara Maria da Penha, o espaço destina-se às chamadas audiências sem dano A ideia, de acordo com a juíza Zilda Romero, é atender crianças e adolescentes vítimas de violência sem provocar novo trauma
Essa é apenas uma das mudanças implementadas desde a inauguração da Maria da Penha, há dois meses Com competência para julgar crimes de violência doméstica contra a mulher e crimes contra a criança e o adolescente, a Vara está sendo conduzida pela juíza Zilda de modo a provocar novos paradigmas no atendimento a vítimas e agressores
Primeira do interior do Estado, a sala de audiências destina-se a ouvir crianças e adolescentes sem que eles tenham contato com juiz, promotor, advogados e o próprio agressor Para isso, foi instalado um sistema de videoconferência
A mediação será feita por profissional especializado em psicologia forense Crianças e adolescentes poderão, através de jogos e testes, indentificar os fatos investigados A comunicação com juiz e promotor é por ponto eletrônico ''A Justiça observa que crianças e adolescentes em sala de audiência comum, com pessoas com quem não têm familiaridade, sentem-se novamente violentadas'', explicou
Zilda também está empenhada na instalção de um ambiente parecido no Instituto Médico Legal (IML), para amenizar os exames de corpo de delito No Fórum, a sala de audiências sem dano foi construída graças a doações da comunidade
Convênio
Nos casos de violência contra a mulher, a Vara Maria da Penha reserva para janeiro uma novidade cujo objetivo é prevenir e cessar as agressões por meio de um trabalho focado nos agressores
Graças a um convênio com a Central de Penas Alternativas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que já responde pelas penas alternativas de diversas varas, agressores encaminhados por medidas protetivas poderão cumprir a pena frequentando um grupo de reflexão sobre os crimes que cometeram
De acordo com a assistente social Cibele Harnisch Silveira, coordenadora da Central, o projeto-piloto terá grupos de 12 a 15 pessoas, com duração de até quatro meses ''Não adianta tomar medidas só com relação à vítima Se não houver intervenção junto ao agressor, a chance de a violência continuar é grande ''
A Central mantém equipes com assistente social, psicólogo e advogado que atuarão também no convênio específico com a Vara Maria da Penha Conforme Cibele, os agressores passarão por triagem para avaliar se possuem perfil adequado à participação nos grupos Pessoas muito comprometidas pelo uso do álcool e das drogas, por exemplo, deverão ser encaminhadas para outros tratamentos

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